quarta-feira, 28 de março de 2012

Frases Marcantes

O amor não é um afecto, mas o produto de todos os afectos que se dividem com alguém. Os afectos todos são o sal da vida. Sem eles, as pessoas não se tornam "doces"; ficam insossas.
Eduardo Sá, Tudo o que amor não é 

Procuro-te


Autor: Lesley Pearse
Ano: 2002
Editora: Asa
Número de Páginas: 400
Classificação: 5/6

Sinopse
Daisy tem apenas vinte e cinco anos quando a mãe morre nos seus braços. Embora saiba há muito que foi adoptada, sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Para Daisy, aquela é a sua família. Todavia, o luto vai abalar o equilíbrio doméstico e revelar rivalidades encobertas. A serenidade dá lugar à devastação, e a jovem sente que é a altura certa para partir em busca das suas raizes e confrontar-se com o passado.
Na ânsia de saber mais sobre Ellen, a sua mãe biológica e à medida que vai desvendando a história da família. Daisy descobre as duras verdades por detrás do seu nascimento. Dotada de uma inabalável determinação, Ellen sobrevivera a uma infância traumática: a morte da sua própria mãe estava envolta numa aura de mistério e os maus-tratos de que fora vítima às mãos da madrasta haviam-na marcado irremediavelmente. O destino quis que a sua coragem fosse constantemente posta à prova. O tempo encarregou-se de apagar o rumo dos seus passos. Mas Daisy não desistirá de a encontrar, nem que para tal tenha de renunciar ao amor da sua vida.

Opinião
Este livro teve o dom de me deixar a pensar nela durante alguns dias. É uma estória intensa, cheia de contornos que são extremamente actuais, embora sejam narrados num tempo anterior a este.

Em primeiro lugar gostaria de salientar um aspecto negativo deste livro: a segunda parte do título. A segunda parte do título remete-nos para a vida de Daisy que foi dada para a adopção com poucas horas de vida, mas, segundo o meu ponto de vista, não ocupa a posição central deste livro. Acho que a mãe biológica de Daisy, Ellen, e a tia Josie (meia irmã de Ellen) assumem um papel com maior relevância.

Ellen e Josie eram meias irmãs e viviam numa casa com más condições. A mãe de Ellen suicidou-se quando esta era criança (cerca de dois anos) e o pai, apanhado pela fragilidade, envolve-se com uma mulher gananciosa que engravida e, dessa gravidez, nasce Josie. Ellen sempre foi muito discriminada por parte da madrasta, era inteligente, gostava da quinta e de trabalhar nela e o pai adorava-a, aspecto que muito enfurecia a madrasta de Ellen. Quando adolescente envolve-se com um artista de circo e engravida. Esconde esta gravidez da família indo trabalhar para outra cidade. Contudo vê-se obrigada a dar a filha para a adopção. Josie, aos 15 anos foge de casa para se tornar modelo.

Josie e Ellen sempre foram muito unidas, mas as suas personalidades e os seus objectivos eram diferentes. Josie procurou fama e dinheiro e acabou por entrar no beco da droga e da prostituição. Afundou-se num mundo cheio de contornos escuros, que arruinaram a dignidade e a ingenuidade que ela tinha. Atrás de si, arrastou a família que, sem querer, viu a sua pobreza exposta nos jornais.  Destrui-se física e psicologicamente, este período da sua vida contribui para delinear a sede de vingança e ressentimento em relação à sua família. A família passou a ignorá-la, excepto a irmã que durante muito tempo a acolheu, safando-as dos mais diversos problemas. Mas até esta boa relação com a irmã a Josie conseguiu destruir.

O livro acaba de uma forma surpreendente! Daisy acaba por procurar a sua mãe biológica e desvenda um mistério que ficou enterrado durante muitos anos. É um livro em que todas as personagem procuravam alguma coisa. Daisy procurava ordenar a sua vida e encontrar algo que gostasse de fazer; Josie procurava dinheiro e uma vida descansada longe dos homens (a quem ganhou aversão); Ellen procurava a felicidade na sua forma mais pura, ou seja, um trabalho digno em que lhe oferecesse rendimentos que lhe possibilitassem viver; o pai de Ellen e Josie procurava a paz de espírito, paz que perdeu após a morte da sua primeira esposa (apenas Ellen representa um pouco de paz na sua vida); e, por fim, a mãe de Josie que procurava conforto, boa vida e dinheiro (valores que passou para a filha e que contribuíram para a soma de desgraças que Josie viveu).

Confesso que a vida de Josie me deixou a reflectir. Tem descrições que nos provocam imagens muito vividas do horror por que ela passou, as coisas com que ela teve de lidar enquanto modelo. A leitura destes acontecimentos fez-me pensar sobre aquilo que as pessoas são capazes de fazer por um pouco de fama. São meios complexos onde, segundo o meu ponto de vista, as pessoas que neles entram necessitam de uma boa dose de responsabilidade e maturidade para saber transformar as oportunidades em boas oportunidades e conseguir detectar as pessoas certas e as erradas que vão circulando pelo mundo da moda.

É certo que estes acontecimentos contribuíram para que Josie se tornasse numa pessoa diferente da criança ingénua que tinha crescido na quinta. E embora não existam razões lógicas que justifiquem aquilo que ela fez no final, todas estas vivências fornecem-nos uma dimensão que enquadra o seu comportamento. No fundo, Josie só conheceu a felicidade enquanto era criança e vivia na quinta. Por outro lado, Ellen, embora carregasse a tristeza por ter dado a filha para adopção, procurou sempre a felicidade nas mais pequenas coisas e, com esta atitude acabou por conquistar a sua madrasta.

É um livro que vale a pena ser lido.

Boas leituras:)

segunda-feira, 26 de março de 2012

(Des)construir imagens

Há dias em que, simplesmente, nos apetece lançar tudo para o alto.
Há dias em que apetece-nos procurar a solidão e isolarmo-nos daquilo que preenche os nossos dias.
Há dias em que procuramos os sábios conselhos do silêncio, procurando respostas para as mil e uma dúvidas que assombram a nossa mente e o nosso espírito.

quarta-feira, 21 de março de 2012

21 de Março - Dia Internacional da poesia

Da caneta deslizam sentimentos
Pelas palavras, o poeta,
Ilustra o seu inconsciente.
Tristeza, saudade, amor, alegria
Surgem (des)ordenados
Na folha que abriga 
Os corações maltratados
As horas de fantasia
Outrora esquecidas.

Das palavras intensas,
Das frases incandescentes,
Nasce a o obra prima.
Versos alinhados,
Sentimentos desnudados,
Poema que nasce
Dos dedos de alguém sensível.

Esta é a minha forma de homenagear uma forma de escrita difícil e carregada de sentimentos. O poeta, fingidor como Fernando Pessoa o descreveu, dá asas à sua imaginação e visita os lugares mais profundos do seu ser. Desta busca, nascem palavras que nos tocam os sentimentos, nos deslumbram e, muitas vezes, descodificam aquilo que a nossa alma abriga. Os poemas são como um bilhete de identidade do mundo, das pessoas...

Frases Marcantes

Não é verdade que existem quatro cavidades. Na verdade, o coração divide-se - como nós sabemos - em tantas assoalhadas quantas as pessoas que ocupam um lugar dentro de nós.
Eduardo Sá, Tudo o que temos cá dentro

sábado, 17 de março de 2012

Poetic dreams

Voar
Passei toda a noite acordado e sonhei
que te tinha a meu lado e cantei,
para acalmar o coração.

E os céus, toda a noite,
a escutar cantos meus,
pareciam dançar no adeus
que lancei à solidão.

Sei
que fingia
que a minha agonia
se escoava no meu cantar.

Não me envergonho
de viver neste sonho,
porque nele eu posso voar.

Surgia
a alvorada e minh'alma sentia
que podia erguer-se com o dia,
num perfeito amanhecer.

Mas não,
não voltaste e o meu coração
desolado partiu-se no chão
para nunca mais sofrer.

(Tuna da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra)

sábado, 10 de março de 2012

Poetic Dreams

Desejos vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…
Florbela Espanca, Livro de Mágoas

Florbela Espanca

Ontem, dia Internacional da Mulher chegou às salas de cinemas portuguesas um filme que retrata a vida de um poetisa portuguesa, Florbela Espanca!!
Este pequena amostra do filme deixou-me  expectante! Cheia de vontade de absorver cada imagem, cada diálogo, cada emoção que transparece no desempenho destes actores!

Florbela, alma controversa! Alma insaciável de amor, cheia de recantos negros, recantos em que a escuridão absorve toda a luminosidade de um rosto marcado pela tristeza.

Florbela era detentora de um espírito inquieto! Vivia numa busca constante do amor. Procurava amar intensamente, entregando-se de corpo e alma a relações que nunca resultaram. Sempre procurou o amor e quando o encontrava este vinha acompanhado da tristeza, da desilusão, da melancolia e de violência física e emocional que tanto abalava a sua alma frágil e sensível.

Florbela nunca se sentiu verdadeiramente amada, por isso espelhava na sua poesia os sentimentos de tristeza, solidão e abandono. De mim ninguém gosta, de mim nunca ninguém gostou…”

Infelizmente, Florbela teve um final trágico. E, como tantos outros autores, o seu trabalho só foi reconhecido após ter deixado de estar fisicamente presente num mundo que só lhe oferecia desilusão. Em seguida, fica um poema escrito por Florbela que, claramente, a define enquanto pessoa.

Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…


Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

 
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca, Livro de Mágoas

quinta-feira, 8 de março de 2012

Frases Marcantes

Era uma noite divina! O céu estava estrelado, tão límpido que, olhando para ele, nos podia escapar a pergunta: Será possível viver sobre este céu gente zangada e injusta?
Tiago Rebelo, Romance em Amesterdão