quarta-feira, 25 de abril de 2012

Poema Matemático

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

(Poema cuja autoria não foi possível identificar)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

(Des)construir imagens

Dia Internacional do livro
Pelas páginas viajamos
Em enredos vários
Personagens, vivências, tristezas,
Recordações...


Levam-nos a mundos (des)conhecidos
A estórias que podem ser as nossas
A mundos sobrenaturais
A lugares nunca antes vistos

Um livro pode ser uma amigo
Um companheiro das outras difícieis
Alguém que preenche os nossos momentos e silêncios

Boas leituras

Selo



A Margarida, do blog  http://ospedacosdeamor.blogspot.pt/, teve a amabilidade de me enviar este bonito selo. Foi o primeiro selo que este meu pequeno espaço recebeu, por isso Margarida, MUITO OBRIGADA.

Qual o teu destino de férias de sonho?
Nova Iorque. Adorava conhecer esta cidade cada vez que vejo imagens ou leio algo sobre ela cresce em mim uma vontade enorme de estar fisicamente nesta cidade e absorver tudo aquilo que tem para oferecer.

O que gostas de fazer nos tempos livres?
Nos meus tempos livres gosto muito de ler, ver televisão, ir ao cinema e estar com as pessoas especias que preenchem a minha vida.

O que te faz feliz é...
Partilhar o tempo com os meus amigos.
Ser psicóloga e partilhar o tempo e os meus conhecimentos com aqueles que precisam de um "empurrão" na vida. Faz-me muito feliz ver a influência que o meu trabalho tem nas pessoas.

Sentes falta de...
Coimbra. A cidade onde vivi durante os meus tempos de estudante. Uma cidade que guarda um conjunto de vivências que me marcaram e me formaram enquanto pessoa. Uma cidade de onde trouxe um conjunto de pessoas preciosas que dão cor e sentido a muitos dias da minha vida. No momento da despedida o verso da canção tem todo o sentido " Coimbra tem mais encanto na hora despedida".

Adoro...
Ler, ir ao cinema e os fantástico serões de fim-de-semana passados na companhia das pessoas especiais que acompanham a minha vida.

Detesto...
Ir ao cabeleiro. Irrita-me o tempo de espera, as conversas paralelas em que se comenta a vida das outras pessoas. E pior, a forma como a profissional ou os clientes te abordam quando vais lá uma primeira vez. Parecem sangussugas informativas tentando retirar informação sobre coisas da tua vida que só a ti dizem respeito.  

Qual o filme ou livro que mais marcou a tua vida?
Esta é uma pergunta difícil, pois tenho dificuldade em eleger um livro ou um filme que me tenha marcado.

Achas que os outros gostam de ti porque...
Tenho qualidades que favorecem o nascimento de uma amizade. Agora para saber essas qualidades é melhor perguntar àqueles que gostam de mim.

Qual a música que te define?
Não conheço nenhuma.

Qual o teu maior sonho?
Ser feliz.

O que dizem os teus olhos?
Os meus olhos dizem aquilo que o meu coração sente.

domingo, 22 de abril de 2012

Fama Mortal (Série Mortal #3) [Opinião]



Autor: J.D. Robb (Pseudónimo de Nora Roberts)
Ano: 2009
Editora:Chá das Cinco
Número de Páginas: 268
Classificação: 5/6

Sinopse
Veio para Nova Iorque para ser polícia pois acreditava na ordem. Precisava dela para sobreviver. Tinha tomado as rédeas da sua vida, transformara-se na pessoa que um assistente social anónimo chamara de Eve Dallas...

Mas dali a algumas semanas já não seria apenas a tenente Eve Dallas, departamento de homicídios. Seria a esposa de Roarke. E os planos de casamento de Eve teriam de esperar quando a sua vida profissional entre em rota de colisão com a sua vida pessoal.
A vítima, na sua mais recente investigação de homício, é uma das mulheres mais requisitadas do mundo. Uma top model a quem ninguém impede de ter o que quer... nem que seja o homem de outra mulher. O suspeito principal de Eve é outra mulher neste triângulo amoroso.... a sua melhor amiga, Mavis.
Por trás da fachada de glamour, Eve descobre que o mundo da moda vive de uma paixão por juventude e fama, onde as drogas podem satisfazer qualquer desejo, por um preço...

Opinião
Este foi o segundo livro que li desta saga de policiais. Infelizmente, não comecei a saga pelo início, mas irei ler os anteriores porque fiquei rendida aos crimes que a tenente Eve Dallas tem de resolver, assim como, aos mistérios que envolvem a sua vida pessoal.

A escrita é muito fluída e facilmente nos vemos envolvidos na estória. A nossa mente participa activamente na busca pelo responsável do crime. Reconstruímos os factos, procuramos provas e tentamos identificar o criminoso. Sim tentamos, porque no fim somos surpreendidos com o desenrolar dos acontecimentos.

Eve, paralelamente aos complexos crimes que tem para resolver, vê-se obrigada a enfrentar os fantasmas, até aí adormecidos, do seu passado. Roarke, o seu futuro marido, desempenha um papel crucial no modo como a tenente tem de lidar com o seu passado e com os terríveis acontecimentos que a marcaram profundamente.








sábado, 21 de abril de 2012

Poetic Dreams

Às vezes, em sonho triste

Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber.
Nessa ilusão de viver
O tempo morre e renasce
Sem que o sintamos correr.

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

Fernando Pessoa

Diferentes formas de comunicar

Numa reunião de pais numa escola, a professora ressalvava o apoio que os pais devem dar aos filhos e pedia-lhes que se mostrassem presentes, o máximo possível… Considerava que, embora a maioria dos pais e mães trabalhasse fora, deveriam arranjar tempo para se dedicar às crianças.
Mas a professora ficou surpreendida quando um pai se levantou e explicou, humildemente, que não tinha tempo de falar com o filho nem de vê-lo durante a semana, porque quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava a dormir e quando regressava do trabalho era muito tarde e o filho já dormia. Explicou, ainda, que tinha de trabalhar tanto para garantir o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava compensá-lo indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa. Mas, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia logo, que o pai tinha estado ali e o tinha beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.

A professora emocionou-se com aquela história e ficou surpreendida quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.

Este facto, faz-nos reflectir sobre as muitas maneiras de as pessoas se mostrarem presentes, e de comunicarem com os outros. Aquele pai encontrou a sua, que era simples mas eficiente. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó, o que o pai estava a dizer. Simples gestos, como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes ou a presença indiferente de outros pais. É por essa razão que um beijo cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, ou o medo do escuro… É importante que nos preocupemos com os outros, mas é também importante que os outros o saibam e que o sintam. As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem reconhecer um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas e só, um nó num lençol.
Autor desconhecido
De facto é sempre importante mostramos aos outros o quanto gostamos deles e o quanto são importantes para nós. E é nos pequenos gestos que se traduz a intensidade das emoções, dos sentimentos verdadeiros...

O tempo que passamos com os outros deve ser de qualidade... Um tempo para partilhar medos, sonhos, angustias, alegrias e conquistas... Um tempo que nos permita viajar na tempo levando-nos aos bons momentos do passado e antecipando felicidades futuras... E quando o tempo começa a escassear podemos sempre "deixar um nó" para que as pessoas especiais sintam que estamos lá.

Boas leituras

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Frases Marcantes

Chorar era um escape aceitável, mesmo que nos fizesse sentir vazios e em carne viva por dentro.
Dorothy Koomson, A filha da minha melhor amiga

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Frases Marcantes

Os mortos, pura e simplesmente, regressam ao sítio onde estiveram antes de nascer. É muito bonito, mas infelizmente nós esquecemo-nos dele quando viemos ao mundo... Se nos lembrássemos, ninguém queria viver nesta terra um único dia.
Sveva Casati Mondignani, O jogo da verdade

segunda-feira, 9 de abril de 2012

(Des)Construir imagens

Por muitas que sejam as adversidades com as quais tenhamos que lidar, o mais importante é não desistir ao primeiro obstáculo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Frases Marcantes

Pode ser uma dor eterna. Não te atormentará todos os dias e em cada minuto, mas, sempre que pensares nele, haverá tristeza no teu coração pelo que aconteceu.
Danielle Steel, Mensagem do Vietname


Mensagem do Vietname



Autor: Danielle Steel
Ano: 2001
Editora: Temas e Debates
Número de Páginas: 380
Classificação: 6/6

Sinopse
A  jornalista Paxton Andrews é uma das mais jovens a chegar ao Vietname. Vemo-la partir de Berkeley directamente para Saigão. Para os soldados que aí encontra, o Vietname é uma experiência que mudou as suas vidas de formas impensáveis. E, durante sete longos anos, Paxton escreverá uma coluna para um jornal a partir da frente de combate antes de regressar aos EUA e se tornar uma activista a favor da paz. Mas, também para ela, a vida nunca mais será a mesma...

Opinião
Neste livro é nos apresentada a estória de Paxton, uma jovem que cresce numa família rígida e fria, uma família que evita o contacto emocional. Estas características familiares não estão em sintonia com a personalidade afável e calorosa de Paxton. A única pessoa da família que partilhava com quem Paxton se identificava era o pai que morreu quando ela tinha apenas 11 anos. Após a morte do pai, foi obrigada a conviver com uma mãe e um irmão distantes, que não a compreendiam. Não sentia que pertencia aquele lugar e o seu sonho era partir... Apenas a Queenie, a ama, oferecia a Paxton amor, afecto e compreensão.

Paxton cresce e chega o momento de entrar na Universidade. Contariando os desejos da mãe, parte para uma universidade na Califórnia onde se torna numa estudante brilhante conhece Peter, irmão da sua companheira de quarto e por quem se apaixona. Vive uma amor recheado de pureza e inocência. Foi o seu primeiro amor.

Até este momento foram vários os factos que marcaram a história política no mundo. O assassinato dos Kennedy, de Matin Luter King, maracaram uma geração e os valores pelos quais essa geração lutava. Foi um período marcados por revoluções às quais Paxton não era indiferente. O culminar deste acontecimentos marcaram o inicio da Guerra do Vitname e com ela foram arrastados vários jovens americanos. Peter foi um deles.

Paxton e Peter tinham uma ligação muito forte e a chamada do jovem para a guerra deixou-a muito triste, mas a maior dor aconteceu uma semana depois quando Peter morreu no Vietname. Paxton, enquanto lida com a sua dor toma uma decisão partir para o Vitname como jornalista e transmitir a verdade do que lá se passa.

No Vitname, Paxton testemunha um cenário de miséria, morte, dor, perda, tristeza... Estabelece novas amizades e a sua personalidade fica profundamente alterada. Desenvolve um trabalho jornalístico fantástico arriscando a sua própria vida e apaixona-se por dois soldados, primeiro por Bill e depois por Tony. 

A guerra acaba por lhe roubar os amigos, Bill e Tony. Bill é morto e combate e Tony é dado como desaparecido. Após o desaparecimento de Tony, Paxton abandona o Vietname e regressa aos EUA, mas o seu coração acalentava a eterna esperança de que Tony possa estar vivo... Passado cinco anos resolve regressar ao Vientname e o inesperado acaba por acontecer.

É um livro fantástico... Um livro que faz emergir as nossas mais profundas emoções. As lágrimas, muito facilmente, toldam-nos a visão e somos incapazes de não sentir a dor de Paxton. O cenário de guerra é descrito de uma forma muito pormenorizada, havendo momentos em que parece que estamos presentes naqueles combates, naquele cenário de morte e horror.

Como grande ponto positivo assinalo toda a construção da narrativa, dos diferentes acontecimentos e dos movimentos das personagens. É uma estória muito bem construída que desperta em nós sentimentos vários, que nos faz olhar para as personagens como se as conhecesse-mos, sentindo-as parte de nós. É um livro muito marcado pela perda e pela dor, mas se assim não fosse não transmitiria o cenário de guerra de uma forma tão real.

Não consigo encontrar um ponto negativo neste livro. É certo que o final do livro não me deixou satisfeita, uma vez que a autora optou por uma narrativa aberta e tive que deixar, à minha imaginação, a responsabilidade de imaginar o que se terá passado a seguir. Contudo, não considero como um ponto negativo. Foi uma opção da autora deixar nas mão do leitor a possibilidade de traçar os rumos futuros destas personagens magníficas.

É um livro que nos faz pensar... Que nos faz reflectir sobre o nosso papel no mundo, sobre o tempo que temos para partilhar com os outros, sobre a forma como vivênciamos as nossas relações. Faz-nos ver que o simples facto de estarmos constantemente em risco, faz-nos viver as coisas de uma forma mais intensa. Demonstram-nos que todas as pessoas que passam pela nossa vida deixam algo em nós, e, quando partem, essa parte delas permanece no nosso intimo não permitindo que a memória as apague do coração. Todas as pessoas de quem gostamos desempenham um papel muito importante na nossa formação enquanto pessoas e, por causa desta importância permanecemos sempre ligadas a elas.

Boas leituras

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Português Suave



Autor: Margarida Rebelo Pinto
Ano: 2008
Editora: Oficina do Livro
Número de Páginas: 251
Classificação: 3/6

Sinopse
Na década de quarenta, Mercês Perestrello é dada como louca e afastada dos seus filhos. Nos anos sessenta, as gémeas Maria Teresa e Maria Luísa seguem caminhos opostos em busca da felicidade.
Quarenta anos depois, as primas Leonor e Naná desvendam segredos nunca imaginados.

Num país em que a prudência aconselha a seguir a eterna máxima uma coisa de que não se fala não existe, a vontade de fugir a todas as regras irá mudar o destino de uma família.

Opinião
Não sou grande fã de Margarida Rebelo Pinto. Este meu desinteresse não se deve ao conteúdo narrativo das estórias, mas sim ao modo de escrever da autora. Acho que ela, por vezes, exagera nos palavrões acabando por desvalorizar o livro e as suas ideias no que respeita ao enredo e às personagens.

O livro apresenta-nos a estória de uma família portuguesa, de classe alta, que guarda segredos, vivências dolorosas, mistérios... Todos os elementos desta família têm uma forma muito própria de vivênciar as suas relações amorosas, os conflitos que delas emanam e o tipo de pessoas com quem se envolvem.

Todos os acontecimentos são narrados partindo de diferentes perspectivas, ou seja, todos os elementos da família são narradores participantes da história. Cada um deles apresenta a sua visão dos factos e emite a sua opinião acerca do comportamento e atitudes dos outros membros que compõem esta família.

No fim, um mistério abala os fortes laços que unem esta família, mas é esta mesma força que contribui para que a união continue.

Boas leituras

terça-feira, 3 de abril de 2012

Um Natal que não esquecemos


Autor: Jacquelyn Mitchard
Ano: 2004
Editora: Editorial Presença
Número de páginas: 104
Classficação: 3/6

Sinopse
Esta narrativa tem uma intensidade humana que por todos os motivos a torna uma leitura de eleição. Jacquelyn Mitchard conta-nos a história de uma família vulgar, pessoas ligadas por laços de amor que, numa simples noite, são afectadas por acontecimentos que inteiramente as ultrapassam, fazendo delas, no espaço de poucas horas, seres que não existiam até então. Na antevéspera do Natal, Laura e Elliot comemoram mais um aniversário de um casamento particularmente feliz, com um jantar romântico. No regresso a casa, o carro avaria num túnel de Boston e, enquanto aguardam que os tirem dali, Laura é acometida por uma estranha dor de cabeça... O que se segue poderia ser melodramático, não fora o estilo da autora, capaz de captar até momentos de inesperado humor.  

Opinião
A temática que serve de base a este livro tem tudo para o transformar num grande livro. Contudo, a pouca profundidade com que os diferentes aspectos são abordados faz com que não sentimos presos ao livro. Não permite, ao leitor, um envolvimentos com a estória e com as personagens.

Laura descobre que tem poucas horas de vida e vê-se abraços com uma grande quantidade de coisas que quer resolver. São muitas as pessoas de quem se quer despedir, as filhas, a mãe, os irmãos e o marido... O que torna tudo isto mais trágico é que tudo acontece a poucos dias do Natal.

Os momentos em que são narradas as despedias são emocionalmente intensos. Levam-nos a reflectir sobre a  nossa própria vida e sobre o que gostaríamos de fazer, quem gostaríamos de ver, o que gostaríamos de dizer se estivessemos a poucas horas de deixar o mundo em que vivemos.

Mesmo perante uma tragédia, a autora consegue introduzir algum humor, principalmente na forma como a Laura encara o último dia da sua vida.

Laura, consegue manter a cabeça fria e tratar de um conjunto de coisas práticas. Escreve cartões para as suas filhas, para que lhes sejam entregues em datas importantes do seu percurso de vida. Pede ao irmão para que este compre uma série de prendas de Natal para as filhas e pede à irmã que elimine a prova de um segredo do seu passado, um segredo que guardou só para si ao longo da sua vida.

Na minha opinião, este livro seria perfeito se a estória fosse mais desenvolvida. Os desenvolvimentos permitiriam um maior envolvimento do leitor com as personagens e com os acontecimentos. Faria com que nos sentíssemos mais ligados às personagens e aos dramas que elas vão ultrapassando.

Boas leituras :)!