quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Palavras Memoráveis

Toda a gente se lembraria de Peter devido a dezanove minutos da sua vida, mas então e os outros nove milhões? Lacy teria de ser a guardiã deles, porque essa era a única maneira de aquela parte de Peter se manter viva. Por cada lembrança dele que envolvesse uma bala ou um grito, ela teria outras cem: de um rapazinho a chapinhar num lago, ou a andar de bicicleta pela primeira vez, ou a acenar de cima de uma estrutura de ferro num parque infantil. De um beijo de boa-noite, ou de um cartão do Dia da Mãe pintado com lápis de cera, ou de uma voz desafinada no duche. Ia juntá-los a todos - os momentos em que o filho tinha sido igual aos filhos das outras pessoas. Ia exibi-los, como pérolas preciosas, todos os dias da sua vida; porque se os perdesse, então o rapaz que ela tinha amado, criado e conhecido desapareceria realmente.
Jodi Picoult, Dezanove Minutos

***
Quando começou a ser difícil respirar, mergulhou num sonho. Ainda tinha 18 anos, mas era o seu primeiro dia no jardim-infantil. Levava a sua mochila e lancheira do Super-Homem. A camioneta cor-de-laranja da escola tinha parado, com um suspiro, escancarando as mandíbulas. Peter subiu os degraus e ficou virado para a traseira da camioneta, mas desta vez, era o único aluno que lá estava. Percorreu o corredor até ao fim, perto da saída de emergência. Colocou a lancheira ao seu lado e olhou pelo vidro de trás. Havia tanta luz que pensou que o próprio sol devia estar a segui-lo pela estrada.
- Estamos quase a chegar - disse uma voz, e Peter virou-se para olhar para o condutor. Mas tal como não havia passageiros, também não estava ninguém ao volante.
Eis o mais espantoso do seu sonho: no seu sonho, Peter não tinha medo. Sabia que, de alguma forma, ia precisamente para onde desejava ir.
Jodi Picoult, Dezanove Minutos

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Palavras Memoráveis

Sou como um dos seus doentes queimados, com a diferença de que as minhas cicatrizes são internas.
Jude Deveraux, in Jardim de Alfazema

domingo, 27 de janeiro de 2013

Balanço- 1ª Maratona literária

Devo dizer que faço um balanço muito positivo desta minha experiência com as maratonas literárias! 
O meu ritmo de leitura não muito intenso, mas acabei por superar os meus objectivos o que me deixa feliz. Assim o meu resultado foi o seguinte:

 Deste livro entram para a contagem 310 páginas.

 Mais 352 páginas.

 Mais 241 páginas

 Este não pertencia ao meu objectivo mas ainda consegui ler mais 36 páginas

Total: 939 páginas

O Feitiço da Lua - Opinião



Autor: Sarah Addison Allen
Ano: 2010
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 241
Classificação: 3 Estrelas
Desafio: De A a Z...
                           Reading Romances
Sinopse
No seu mais recente romance mágico, Sarah Addison Allen convida-nos a visitar uma pitoresca cidade do Sul dos Estados Unidos onde duas mulheres bem diferentes descobrem como encontrar o seu lugar no mundo, por mais deslocadas que se sintam.

Emily Benedict vai para Mullaby, na Carolina do Norte, na esperança de resolver pelo menos alguns dos mistérios que rodeiam a vida da mãe. Porém, assim que Emily entra na casa onde a mãe cresceu e trava conhecimento com o avô, cuja existência sempre desconhecera, descobre que os mistérios não se resolvem em Mullaby, são um modo de vida: o papel de parede muda de padrão para se adequar ao estado de espírito do ocupante do quarto, luzes inexplicáveis dançam pelo quintal à meia-noite, e uma vizinha, Julia Winterson, cozinha esperança sob a forma de bolos, desejando não apenas satisfazer a gulodice da cidade mas também reacender o amor que receia ter perdido para sempre. Mas porque desencorajam todos a relação de Emily com o atraente e misterioso filho da família mais importante de Mullaby? Ela veio para a cidade a fim de obter respostas, mas tudo o que encontra são mas perguntas.
Um bolo de colibri poderá trazer de volta um amor perdido? Haverá mesmo um fantasma a dançar no quintal de Emily? As respostas não são nunca o que esperamos, mas nesta pequena cidade de adoráveis desadaptados, o inesperado faz parte do dia-a-dia.

Opinião
Este foi o segundo livro que li da Sarah Addison Allen e foi de encontro às minhas expectativas... Um romance preenchido por recantos de magia, mistério, amor, amizade, reencontros... É uma leitura muito leve e agradável que nos transporta a lugares mágicos, a personagens muito únicas e muito próprias. Contudo, queria mais deste livro... senti que a autora poderia dar mais ao leitor, em vez de o deixar pela superficialidade. Na minha opinião, a narrativa do livro beneficiaria se fosse mais esmiuçada. Acho que falta mais enredo, falta mais actividade para as personagens, falta um maior desenvolvimento do final, e também penso que o livro merecia outro final (a não ser que o livro tenha continuação).

A sinopse é excelente, por isso conseguem perceber muito bem a história a partir daí. Gostei muito de todas as personagens. Todas elas têm um papel importante na narrativa, contudo, e como já referi anteriormente, mereciam mais destaque no livro. Gostaria de saber mais sobre a mãe de Emily, dos acontecimentos que marcaram a vida de Julia e Sawyer, e da história familiar do Win. 

O mistério em torno dos membros da família de Win é muito engraçado, mas acho que seria ainda melhor se fosse mais aprofundado, se a autora criasse mais situações em que ele era visível, se houvesse mais história por detrás de toda esta magia.  

O final não cria muitas surpresas aos leitores. É uma narrativa aberta (que eu, por acaso, gostaria de ver fechada e desenvolvida, porque a Júlia merecia!!) que dá espaço ao leitor para imaginar o restante. Neste sentido acho que este livro carece de um livro de continuação para dar a conhecer a história da personagem que entra no último capítulo e desenvolver aquele tão aguardado reencontro.   

A capa é muito bonita e o título brilha no escuro. 

Deixem-se invadir pelas palavras! Boas leituras!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Poetic Dreams

Quem?Não sei quem és. Já não te vejo bem... 
E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...) 
Sonho que um outro sonho me desfez? 
Fantasma de que amor? Sombra de quem? 

Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?... 
- Não sei se tu, amor, assim me vês!... 
Nossos olhos não são nossos, talvez... 
Assim, tu não és tu! Não és ninguém!... 

És tudo e não és nada... És a desgraça... 
És quem nem sequer vejo; és um que passa... 
És sorriso de Deus que não mereço... 

És aquele que vive e que morreu... 
És aquele que é quase um outro eu... 
És aquele que nem sequer conheço... 


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Jardim de Alfazema (Série Edilean #1) [Opinião]


Autor: Jude Deveraux
Ano: 2010
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 352
Classificação: 4 Estrelas
Desafio: Reading Romances
               De A a Z...

Sinopse
Jocelyn Minton é uma  mulher dividida entre dois mundos. A mãe estudou em colégios particulares e frequentava as melhores salas de chá, mas acabou por casar com o biscateiro local.
Joce tinha apenas cinco anos quando a mãe morreu e, quando o pai volta a casar, a criança sente-se mais só do que nunca - até que conhece Edilean Harcourt, que, apesar de já não ser uma jovem, compreende Joce melhor que ninguém.
Quando Miss Edi morre, deixa à amiga todos os seus bens, incluindo uma histórica mansão do século XVIII e uma carta com pistas para a jovem decifrar um mistério que remonta a 1941. Na carta, Miss Edi também revela que encontrou o homem perfeito para Joce, um jovem advogado.
Joce fica chocada ao saber que a mansão e o futuro amor da sua vida se encontram em Edilean, de que nunca antes ouvira falar. Curiosa perante esta reviravolta do destino, Joce mudou-se para a pequena cidade, decidida a dar um novo rumo à sua vida.
Em Edilean, todos conhecem a história da jovem e já delinearam o seu futuro, incluindo o homem com quem se deverá casar. Acontece, porém, que Joce tem as suas próprias ideias acerca do homem que terá de conquistar o seu coração e o que fazer aos segredos que ninguém quer ver divulgados. Mas, quando estes se revelam parte da sua história, o certo é que a vida parece ganhar uma nova cor...

Opinião
Este foi o livro ideal para quebrar com o estado de espírito (diga-se pesado) que o livro anterior deixou. Jardim de Alfazema é um romance leve e muito romântico que conduz o leitor por lugares bem descritos e que apetece conhecer. 
Comparando este livro com o livro anterior que li da mesma autora, Ninguém para amar,este possui uma narrativa mais dinâmica que deixa o leitor preso à história desde a primeira página. 

Joce é uma mulher jovem, muito calma, com umas piadas engraçadas (conseguiram despertar-me alguns sorrisos) que herda uma mansão num lugar que ela nunca ouviu falar na vida. Quem lhe deixou este mansão foi uma velha senhora, Edi, com quem ela partilhou grande parte da sua vida e a ajudou a suportar uma família que fugia aos padrões da sua personalidade. A própria Edi tem um história de vida fantástica que Joce vai descobrindo com a evolução do livro. Confesso que fiquei com pena de o livro não ter mais uns capítulos com a história de Edi... As passagens que aparecem no livro são deliciosas e deixam o leitor com vontade de ler e saber mais. 

Joce muda-se para a nova mansão e vê-se obrigada a lidar com um conjunto de personalidades que chocam um pouco com a sua pacatez e introversão... Pessoas que lhe aparecem pela casa adentro; dois homens que entram na sua vida, um que ela simpatiza desde o início e outro que é o oposto daquilo que ela é (mas será mesmo o oposto). Estes dois homens são o Ramsey, um advogado, e Luke, um jardineiro. As interações entre Luke e Joce, no início do livro são muito engraçadas. Luke encerra em si um mistério que vai despertando o coração das leitoras... No meu caso, simpatizei logo com Luke desde o início, o Ramsey era meloso de mais e parecia-me sem carisma.

É uma narrativa misteriosa, envolvente, cativante. Proporciona-nos momentos descontraídos, calmos e que nos despertam os sentidos. É uma boa leitura para momentos em que sentimos o nosso pensamento pesado, para momentos em que nos sentimos em baixo... É um livro optimista!

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras!  

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Palavras Memoráveis

Acho que avida de uma pessoa dever ser como um DVD. Podemos ver  versão que toda a gente vê, ou podemos escolher a versão editada pelo realizador - a forma como ele desejava que a víssemos, antes de tudo o resto se ter metido no caminho. 
Jodi Picoult, in Dezanove Minutos

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Dezanove Minutos - Opinião

   
Autor: Jodi Picoult 
Ano: 2007
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 532
Classificação: 5 Estrelas
Desafio: Novos autores
               Reading Romances

Sinopse
Em Sterling, New Hampshire, Peter Houghton, um estudante de liceu com dezassete anos, suportou anos de abuso verbal e físico por parte dos colegas. A sua amiga Josie Cormier, sucumbiu à pressão dos colegas e agora dá-se com os grupos mais populares que muitas vezes instigam o assédio. Um incidente de perseguição é a gota de água para Peter, levando-o a cometer um acto de violência que mudará para sempre a vida dos residentes de Sterling.

Opinião
Quando iniciei a leitura deste livro estava longe de imaginar aquilo que eu ali iria encontrar. Acreditem, a sinopse é extremamente reduzida quando comparada com a complexidade que Jodi Picoult nos presentei ao longo destas páginas.

Dezanove Minutos é um livro que deixa as emoções à flor da pele que retracta um acontecimento que, muito recentemente, aconteceu nos EUA (o massacre numa escola). Aliada a esta memória recente, surgem aspectos como a enorme capacidade de descrever os acontecimentos, a complexidade psicológica das personagens envolvidas, o enredo fantasticamente bem construído tornando o livro uma "bomba atómica" de emoções que nos prendem até à ultima página... Posso dizer que à medida que vão lendo serão sempre surpreendidos e não existem "pontos mortos" no livro. É simplesmente viciante e difícil de largar. 

Peter é um jovem que nunca soube o que é ser admirado na escola... Sempre foi uma alvo fácil à intimidação e à agressão. Se até ao sexto ano tinha o apoio incondicional da sua amiga Josie tornava as coisas mais suportáveis, a separação de ambos tornou a vida de Peter muito mais difícil. Apesar da crueldade do acto de Peter consegui sentir empatia por ele e pena, frequentemente fiquei emocionada com as intimidações que ele ia sofrendo. Era um miúdo sensível e diferente dos outros, mas a pressão a que foi sujeito foi-se acumulando dentro dele culminando num acto condenável e macabro. Sentia-se incompreendido por todos, até pelos próprios pais. 

Josie foi aquele que mais sofreu mudanças ao longo que a narrativa se desenvolvida e foi também a personagem que mais me fez pensar, proporcionando-me diferentes experiências emocionais. Havia momentos em que sentia pena dela, outros em que admirava aquilo que ela fazia, havia ainda outros que me irritava profundamente e outros em que me sentia completamente desesperada por não poder fazer nada contra as atitudes e passividade dela perante determinadas situações. Josie aprendeu a usar uma máscara para poder sobreviver no seu meio escolar. Assim, a maquilhagem proporcionou-lhe a criação de uma Josie popular, adorada por muitos. Rendeu-se às miúdas de personalidade consumista e oca, mas no fundo havia outra Josie, completamente diferentes e a quilómetros de distância de atitudes mesquinhas, materialistas e sem inteligência. Na minha opinião, esta incongruência entre aquilo que ela era e aquilo que ela se mostrava aos outros  causava-lhe um enorme sofrimento. Depois havia o Matt, o namorado de Josie, que simplesmente me fazia revirar os olhos de tão estúpido que era. Pelas descrições imaginei-o como sendo um grande monte de músculos sem o mínimo de inteligência. Odiava a forma como ele tratava Peter e como pressionava psicologicamente a Josie. 
Há uma passagem do livro que retrata a Josie no seu mais profundo ser. É a seguinte:
Se passarmos a vida concentrados naquilo que os outros pensam de nós, será que nos esquecemos de quem realmente somos? E se o rosto que mostramos ao mundo for uma máscara... sem nada por baixo?

O final de Peter é um bocadinho previsível. Confesso que até pensei que tal acontecimento iria acontecer mais cedo. Os pais de Peter, Lucy e Lewis, também me fizerem ter os sentimentos à flor da pele. Viveram um sofrimento atroz... Aliás eles foram a prova viva de que quando a vida começa a andar para trás não há maneira de se conseguir dar a volta por cima. É muito interessante ver as reacções deles, muito bem construídas e descritas pela escritora que deixam qualquer pessoa a pensar. 

Quero destacar um aspecto muito interessante do livro (e não sei se faz parte do género de escrita adoptado  pela escritora), e do qual gostei muito, que é o facto de a autora ir deixando um conjunto de perguntas retóricas que activam o pensamento do leitor. São fantásticas, surgindo no momento certo que fazem com que o nosso pensamento mergulhe num mar profundo e cheio de "ses". 

É um livro fantástico e marcante... Acho que é um livro que me vai acompanhar ao longo de vários dias! É emocionalmente intenso. 

Deixem-se invadir pelas palavras! Boas leituras!


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A felicidade das pequenas coisas


Poetic Dreams

Saudade 

Ter saudade 
é vaga disforme de um corpo. 
Ter saudade 
é pássaro que aparece e se apaga 
erguido de confusão 
na angústia, teste dado à natureza 
bruxuleante dentro de mim. 
Ter saudade 
é fingir qualquer coisa que inquieta, 
levantada, desenterrada do crivo da memória. 
Por vezes quando o tempo por ela passa 
não passa o tempo da saudade, 
estátua rígida dum destino anoitecido, 
passa um nada meio acontecido. 
Saudade, 
é filha da alma do mundo 
que de tanto ser outro 
sou eu já. 
Saudade, 
porque viajas cansada 
em horas dentro de mim? 
Saudade 
que vieste até à última força desta linha, 
brumosa da eterna caminhada. 
Sempre que vieres 
sem avisares 
leva-me contigo 
para que a paz volte 
à memória de meu corpo 
como o rio que passa 
no tempo final da minha natureza. 

Carlos Melo Santos, in "Lavra de Amor"

Maratonas literárias



Maratona Semanal - De 19 de Janeiro a 27 de Janeiro

Esta será a minha primeira Maratona Literária e, para começar em grande será uma maratona semanal!!

Espero que esta seja a primeira de muitas. 

Para esta maratona desafio-me:

  • Terminar o livro Dezanove Minutos de Jodi Picoult
  • Ler O jardim de alfazema de Jude Deveraux 
  • Iniciar o livro O feitiço da lua Sarah Addison Allen 
Dezanove MinutosJardim de AlfazemaO Feitiço da Lua

Uma boa semana para todos os maratonistas!





quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Palavras Memoráveis

Para este post escolhi dois excertos que se encontram no livro O jardim dos segredos por considerar que ambos são excelentes metáforas daquilo que podem encontrar naquelas páginas. Espero que vos deixe curiosos(as).

- Dizei-me porque deverei trazer três fios de cabelo da Rainha das Fadas - perguntou o jovem príncipe à velha. - Porque não qualquer outra quantidade, porque não dois ou quatro?
A velha inclinou-se para a frente, sem interromper a fiação.
- Não há outro número possível, meu filho. Três é o número do tempo, não falamos nós em passado, presente e futuro? Três é o número da família, não falamos nós de mãe, pai e filho? Três é o número das fadas, pois não as procuramos nós no carvalho, no freixo e no espinheiro?
O jovem príncipe anuiu, pois a sábia velha estava certa.
- Por conseguinte, também eu preciso de três fios para tecer a minha trança mágica.

Retirado de "A trança das fadas", de Eliza Makepeace


Por fim, o feitiço da Rainha Malvada foi quebrado e a jovem mulher, que as circunstâncias e a crueldade humana tinham aprisionado no corpo de um pássaro, conseguiu libertar-se da sua gaiola. A porta da gaiola abriu-se e o cuco caiu, caiu até conseguir abrir as asas, planou acima da beira da falésia e sobre o oceano. Em direcção a uma nova Terra de Esperança e liberdade e vida. Rumo à sua outra metade. Rumo a casa.

                                                                                Retirado de "O voo do cuco", de Eliza Makepeace

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Palavras Memoráveis

Eu só queria ver de que material era feito o teu amor por mim. Precisava de escangalhar o teu coração para o fazer encaixar no meu. E agora tenho que o desencaixar outra vez para sair deste limbo. Mas não sei como. Sem o teu coração não consigo amar - não me abandones outra vez. Logo eu, que amava o mundo inteiro, não é? Amar em abstracto é muito mais ágil do que amar em concreto. 
Inês Pedrosa, in  Fazes-me falta

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Fazes-me Falta - Opinião



Autor: Inês Pedrosa
Ano: 2002
Editora: Publicações Dom Quixote
Número de Páginas: 221
Classificação: 2 Estrelas
Desafio: Novos autores (2/15)
               Ler em Português de Portugal (1/12)
               De A a Z... (2/26)

Sinopse
Contado em duas vozes - uma delas a de alguém que acaba de morrer - Fazes-me Falta entrecruza o olhar de duas gerações, e traça a história de uma amizade profunda e sem ponto final, com todas as suas reminiscências, remorsos e tesouros. Após a vertiginosa viagem ao cento do coração que é A instrução dos Amantes, e a descoberta da intimidade no século XX revelada pelas três mulheres de Nas Tuas Mãos, Inês Pedrosa debruça-se sobre a vida, a morte, o irreparável, num romance de grande intensidade poética que nos conduz ao mundo dos sentimentos imortais.

Opinião
Não tenho muito para falar sobre este livro. À parte de um conjunto de frases bonitas ficou muito à quem do que eu esperava quando li a contracapa. Faltou-lhe algo que nos motive para  a leitura. No fundo, parece uma conjunto de ideias soltas e, por vezes, com uma linguagem um pouco snobe, que não promovem o interesse do leitor.

Inês Pedrosa quis transmitir o vazio que a morte de um amigo muito especial provoca no ser humano. Assim, temos uma senhora jovem que morre e um amigo mais velho que fica sem chão assim que ela deixa a vida terrena. Confesso que a ideia de base do livro é muito interessante, mas a abordagem da escritora e a sua forma de escrever não tornaram reais as potencialidades desta ideia original.

Por vezes, senti-me um pouco confusa com a leitura porque algumas partes do texto me pareciam um pouco descontextualizadas. Na minha opinião, uma apresentação das personagens e uma clarificação de alguns aspectos do livro poderiam tê-lo tornado mais interessante.   

Apesar deste meu primeiro contacto com a escritora não ter sido muito feliz ainda penso dar-lhe uma segunda oportunidade. Por isso aceito sugestões desse lado :)

Deixem-se invadir pelas palavras e desfrutem de umas boas leituras.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Modificação na pontuação atribuída aos livros

Caros seguidores deste meu pequeno espaço,

Decidi fazer uma pequena alteração na classificação atribuída aos livros que vou lendo. Como faço sempre um registo dos mesmo no goodreads decidi utilizar no meu blog o mesmo modo de classificação, para que haja uma sincronia entre o que publico no goodreads e no blog.

Assim sendo. A partir deste momento as classificações serão:

  • 1 Estrela
  • 2 Estrelas
  • 3 Estrelas
  • 4 Estrelas
  • 5 Estrelas

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Jardim dos segredos - Opinião



Autor: Kate Morton
Ano: 2010
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 551
Classificação: 5/5
Desafio: Novos autores (1/15)
               Reading Romances (Foreigners do it better!) (1/12)

Sinopse
Uma criança perdida. Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial uma criança é encontrada só, num barco que se dirige à Austrália. A mulher misteriosa que prometera tomar conta dela tinha desaparecido sem deixar rasto.

Um terrível segredo. No seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst, em tempos propriedade da aristocrática família Mountrachet.

Uma herança misteriosa. Com o falecimento de Nell, a neta Cassandra recebe uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas suas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.

Opinião 

Uauuu!! Este livro é de deixar os leitores sem palavras! Confesso que não foi assim desde o início, mas vamos por partes.

Este foi o meu primeiro contacto com Kate Morton e estou muito satisfeita com o balanço final desta leitura. Tive alguma dificuldade em entrar na narrativa devido à enorme carga descrita que vai acompanhando o desenvolvimento do livro. Esta dificuldade fez-se sentir porque o meu último livro tinha um ritmo alucinante. Este por seu lado tem um ritmo de acontecimentos mais lento apresentando, aos poucos, os mistérios que cada personagem encerra.
Apesar desta minha resistência inicial (ainda bem que a consegui ultrapassar, pois teria perdido um livro fantástico) a partir de um terço do livro já estava completamente agarrada à história e às personagens que por lá habitam. Kate Morton é uma excelente contadora de histórias, uma autora dotada de uma sensibilidade e imaginação fantásticas. Orienta o leitor em diferentes sentidos levando-nos a imaginar mil e um cenários possíveis para o que se irá passar nas próximas páginas. Do meu ponto de vista, a estrutura narrativa, os mistérios e os segredos funcionam como um dos três ingredientes de sucesso deste livro. Os outros dois ingredientes são as personagens e os três contos infantis.
Os mistérios e os segredos estão muito relacionados com a família (ou famílias) que o livro nos apresenta. Nell descobre aos 21 anos que aquilo que ela pensava ser a sua família afinal não era. Este facto fê-la mudar radicalmente a sua postura em relação à vida e decide procurar as suas origens. Porém, um acontecimento faz com que ela não chegue ao final do seu grande mistério: descobrir quem são os seus pais. É depois da sua morte que Cassandra, sua neta, descobre que herdou uma casa na Cornualha, Inglaterra (elas viviam na Austrália). É neste contexto que Cassandra parte em busca das origens da avó e depara-se com muitos mistérios para resolver, uma casa para restaurar e um jardim misterioso que também precisa de ser arranjado. Confesso que eu própria fiquei apaixonada por este jardim e pela Casa da Falésia, pelas descrições pareceram-me sítios muito bonitos.
Os antepassados de Nell que Cassandra descobre são de uma complexidade emocional fantástica, para além de serem descritos com uma personalidade assustadoramente complexa. Não vou referir todos apenas vou destacar aquelas que mais me marcaram: Eliza Makepeace e Linus Mountrachet.
Eliza é uma mulher que sofre algumas provações em criança. Dotada de uma imaginação surpreendente inspira todos os leitores com os seus modos muito próprios. É cativante e ao mesmo tempo inquieta o nosso espírito. Tornou-se escrito e no livro conhecemos três dos seus contos infantis. Estes contos são igualmente metáforas dos acontecimentos de vida destas personagens.
Linus Moutrachet inquietou-me o espírito. Era um homem, da minha perspectiva, psicologicamente afectado. Fiquei paralisada com alguns dos seus comportamento e fiquei a pensar em coisas terríveis que ele possa ter feito, mas que livro não aparecem. Linus, partindo da minha interpretação, estava apaixonada pela sua irmã Georgiana (mãe de Eliza). Esta obsessão com a irmã acabou, depois por ser dirigida para a sobrinha devido às características físicas. Em conclusão, Linus pareceu-me repugnante!!!
Não tenho mais palavras para descreves este livro. Foi um leitura muito agradável e que aconselho! Gostaria de saber se já leram este livro e o que é que acharam, que sentimentos eles vos despoletou...
Deixem-se  invadir pelas palavras! Boas leituras! :)

Novidade Bertrand - Janeiro 2013

Na Cama Com Um Highlander

 
Maya Banks
 
Sinopse:
 
Ewan, o mais velho dos irmãos McCabe, é um guerreiro decidido a destruir o seu inimigo. Agora que o momento é ideal para a guerra, os seus homens estão preparados e Ewan quer reaver aquilo que lhe pertence – até que uma tentação de olhos azuis e cabelo negro se atravessa no seu caminho. Mairin pode muito bem ser a salvação para o clã de Ewan, mas, para um homem que sonha com vingança, as questões do coração são um território desconhecido a conquistar.
Mairin é filha ilegítima do rei e é senhora de propriedades valiosas que a obrigaram a esconder-se e a desconfiar do amor. Os seus piores receios acabam por acontecer quando é salva do perigo mas depois obrigada a casar com o seu salvador, Ewan McCabe, um homem carismático que está habituado a mandar. Mas a atração que sente pelo seu novo marido fá-la desejar o seu toque; o seu corpo ganha vida com a mestria sensual dele. E à medida que a guerra se aproxima, as forças, o espírito e a paixão de Mairin obrigam Ewan a derrotar os seus próprios fantasmas e a entregar-se a um amor que significa mais do que a vingança e a terra.
 
Este livro é o primeiro livro da Trilogia MacCabe e é com este título que Maya Banks se apresenta aos leitores portugueses através da editora Bertrand.
 
É um livro que parece reunir todos os ingredientes para prender os leitores a estas fantásticas páginas. 
 
Disponível a 18 de Janeiro


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Palavras Memoráveis


- Não te preocupes, Martyn, não tenho nenhum trabalho em vista, além de também já quase não ter dinheiro no banco, mas há já algum tempo que acordo ao lado da mulher que amo, uma mulher que me surpreende, me faz rir, me abana e me apaixona, uma mulher cujo entusiasmo me fascina ao longo do dia, uma mulher que quando se despe à noite me faz terrivelmente… como hei-de dizer?... Me comove; como vês, não posso lamentar-me e, não querendo estar a gabar-me, digo-te sinceramente que nunca estive tão feliz em todo a minha vida.
- Fico muito contente por saber isso, Adrian. Sou teu amigo, sinto-me culpado por ter cedido às pressões e ter cortado o contacto contigo. Mas compreende-me, não posso dar-me ao luxo de perder o emprego, não tenho ninguém a meu lado à noite, tenho apenas a paixão pelo meu trabalho para me fazer companhia na minha vida.
(…)
Tinha acabado de desligar depois de uma conversa que me deixara nas nuvens, quando uma voz me fez dar um salto no meio da rua.
-Pensas mesmo isso tudo de mim?
Voltei-me e vi Keira; tinha vestido novamente um pulôver meu e estava com o meu casaco comprido pelos ombros.     
Marc Levy, in  A primeira noite

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Palavras Memoráveis

Precisamos de memórias para manter vivo o que existiu no passado.
Kate Morton, in O jardim dos segredos

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

As votações já começaram

As votações para o Blog do ano já começaram....
Aqui fica o link para quem quiseres votar no meu espaço...
http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-1a-fase-24/

Podem encontrar o blog nas categorias, Generalista e Livros, Literatura e Poesia.

Desde já agradeço a vossa votação!!
Boa semana e boas leituras!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Liliana, valeu a pena lutar!!!

Devemos sempre lutar pelos nossos sonhos...
Nunca devemos deixar de fazer aquilo que mais gostamos...

Porque um dia tudo aquilo pelo qual lutamos se tornará realidade!!!
 
Parabéns Liliana!!!
 
Em Abril, a editora Marcador vai oferecer a oportunidade de todos vocês lerem este fantástico livro.
(consultar a minha opinião aqui)
 
Só existem boas razões para em Abril irem, em massa, adquirir este livro:
  1. É de uma fantástica autora portuguesa - Liliana Lavado, não se esqueçam
  2. Tem uma capa linda
  3. É um livro cheio de acontecimentos
  4. É uma leitura que nunca aborrece
  5. É um livro que vos faz viajar
  6. É um bom livro para oferecer
  7. Irão ficar mais cultos
  8. Após a leitura irão sentir-se mais felizes
Apenas gostaria de acrescentar que como leitora-beta... Sinto-me muito feliz por ver o talento da Liliana finalmente em papel para que possa ser conhecido por mais pessoas.
 
Parabéns Liliana!!! Venham mais livros! :)
 

Dia do Leitor - 7 de Janeiro

Foto
retirada daqui


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Poetic Dreams

Liberdade

O poema é
A liberdade

Um poema não se programa
Porém a disciplica
- Sílaba por sílaba -
O acompanha

Sílaba por sílaba
O poema emerge
- Como se os deuses o dessem
O fazemos

Sophia de Mello Breyner Andersen, in O Nome das Coisas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Por detrás da tela - Orgulho e Preconceito

Já há muito tempo que andava deserta para ver este filme... Tinha lido diversas críticas positivas o que me aguçou a curiosidade.
À umas semanas atrás foi o grande dia e dediquei um tempo (muito bem utilizado) do meu fim-de-semana a ver este belíssimo filme.
Adorei tudo. As personagens e as interpretações, os cenários (lindos), e o enredo que dá vida a uma história apaixonante.
Foi com o visionamento deste filme que percebi os "suspiros blogoesféricos" pelo Mr. Darcy... A partir deste momento junto o meu "suspiro" por esta personagem. Mr. Darcy aparece envolvido numa nuvem de mistério capaz de induzir uma dose elevada de encantamentos ao espectadores. Com o desenvolvimento da história passamos a conhecer um Mr. Darcy simplesmente adorável!
Este filme foi, sem qualquer dúvida, o melhor filme que vi em 2012 e irá fazer parte dos filmes marcantes da minha existência.
O próximo passo é ler o livro... Estou muito curiosa! Normalmente, os livros superam os filmes e, por isso estou à espera da minha opinião sobre esta história ser superada!
 
Deixem-se invadir pelas imagens!
 
 
 
 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A Siciliana - Opinião

 Autor: Sveva Casati Modignani
Ano: 2004
Editora: Asa
Número de Páginas: 373
Classificação: 4/5
Desafio: De A a Z... (1/26)

Sinopse
Na Sicília, uma enigmática freira dá a um jornalista uma entrevista reveladora. O seu  nome Nancy Pertinace e, antes de desaparecer nos confins daquela ilha, era uma das mulheres mais famosas de Nova Iorque, cidade onde contava poder vir a ser mayor. Mas o seu passado pesa a longa sombra da Máfia e no seu presente nem tudo parece claro...
Filha, amante, assassina e mãe, Nancy acaba por descobrir que é impossível fugir aos fantasmas do passado e que terá de enfrentar toda uma história de paixão, intriga e vingança... caso queira tomar de novo as rédeas do seu destino.

Opinião
Mais uma vez Sveva conseguiu levar-me numa leitura compulsiva... A partir do momento em que comecei a entrar no fantástico enredo que ela criou não conseguiu largar o livro.

A Siciliana leva-nos ao mundo obscuro da máfia... As ligações perigosas, a morte, os mistérios, a lealdade entre os membros... No fundo, uma organização que não olha a meios para atingir os seus fins. Uma sociedade paralela onde se mata e se morre por dinheiro e poder. Confesso que a parte onde toda esta sociedade nos é apresentada e onde nos é dada a conhecer a rivalidade entre duas família mafiosas é um pouco complexa e exige bastante atenção da parte do leitor. Por esta razão, foi a parte que me ocupou mais dias de leitura, precisei de reler algumas passagens para entender os meandros de traições, acordos, assassinatos... Ufa!! É mesmo complexo.

Já se devem perguntar, sendo Sveva uma escritora de livros onde a personagem feminina assume um grande destaque, mas onde está a nossa personagem principal? Onde é que ela se encaixa no meio desta viagem pela máfia? Nancy entra neste mundo um pouco arrastada pelas peripécias da vida. Peripécias essas que nos deixam em euforia até à ultima palavra. Esta personagem feminina é um pouco diferente das personagens femininas de outros livros. Nancy é mais determinada, corajosa, lutadora e obstinada. Os sentimentos que ela me foi despoletando ao longo da leitura foram vários... Cheguei a não gostar muito dela, mas tentava perceber o porquê dos comportamentos que ela ia tendo. Sim, Nancy tem um personalidade complexa e profunda que deixa o leitor na expectativa em relação à forma como ela reagirá a determinadas situações.

Taylor, o último marido de Nancy, foi aquele que teve o dom de me deixar de "boca aberta"!!!! Não vou dizer o motivo porque vos iria estragar a curiosidade, mas há uma determinada altura do livro que deixa ao leitor pistas que não o deixam tão desprevenido no momento alto deste senhor.

O final deixou-me numa sensação estranha... Na minha opinião, a escritora deveria ter dado mais tempo ao final, desenvolvendo mais as personagens e os acontecimentos. Este cuidado final tornaria os acontecimentos mais claros.

Posso dizer que comecei muito bem as minhas leituras  de 2013. É um livro viciante, de uma escritora que eu gosto muito. Nunca me canso dos livros dela, porque consegue sempre "apimentar" os acontecimentos mais banais.

Espero que se deixem invadir pelas palavras :) Boas leituras!

Concurso Aventar

Foi através da Filipa, do blog O labirinto dos livros, que tomei conhecimento deste concurso!
Bloggers este é para vocês, por isso toca a participar! Inscrevam-se:
 
 
blogs-do-ano-2012-400px

 

Palavras Memoráveis

A vida é feita de encontros e desencontros. Todos os dias há gente a entrar na nossa vida, a quem damos os bons-dias, a quem damos as boas tardes, algumas ficam mais um pouco, outras ficam mais alguns meses, outras um ano e outras ainda uma vida inteira. Quem quer que sejam, conhece-las e depois segues o teu caminho.
Cecelia Ahern, in Se me pudesses ver agora...