sexta-feira, 31 de maio de 2013

Equador [Opinião]


Equador

Autor: Miguel Sousa Tavares
Ano: 2003
Editora: Oficina do Livro
Número de páginas: 528 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Desafio: Novos autores / Ler em Português de Portugal / De A a Z...

Sinopse
Quando, naquela manhã chuvosa de Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D. Carlos a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservava. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica como arriscada na distante ilha de São Tomé. Não esperava que o cargo de governador e a defesa da dignidade dos trabalhadores nas roças o lançassem numa rede de conflitos de interesses com a metrópole. E não contava que a descoberta do amor lhe viesse mudar a vida.

Equador é um retrato brilhante da sociedade portuguesa nos últimos dias da Monarquia, que traça um paralelo entre os serões mundanos da capital e o ambiente duro e retrógrado das colónias.

É com esta história admirável, comovente e perturbadora, que Miguel Sousa Tavares inaugura a sua incursão no romance.

Opinião
Esta leitura foi o meu primeiro contacto com a escrita de Miguel Sousa Tavares e fiquei agradavelmente surpreendia com aquilo que encontrei nestas páginas. Desde já afirmo que não vi a série baseada nesta obra que foi produzida e emitida pela TVI (que pelo que me contaram está muito fiel ao livro), pelo que não tinha nenhuma ideia daquilo que poderia encontrar no livro, para além daquilo que a sinopse deixa antever.

Nestas páginas, a História de Portugal e as vivências portuguesas no início do século XX aparecem descritas de uma forma que nos possibilita imaginas todo o cenário daquela época. São páginas em que um pedaço da História de Portugal é oferecido aos leitores de uma forma bastante apelativa.
É nas primeiras páginas do livro que nos é apresentado o personagem central desta narrativa. Luís Bernardo Valença, um homem da cidade que cultiva os seus gostos pelos bailes, jantares... Um homem com opiniões bem definas acerca do clima político da época e que desde sempre se assumiu como anti-escravatura. É devido à sua posição em relação à escravatura que é convidado a assumir um cargo de governador numa das colónias portuguesas.

Aquilo que ele encontra não vai de encontro às suas convicções. É aqui que ele se vê envolvido em conflitos de interesses de ordem económica que tornam o seu percurso como governador penoso, difícil e solitário. É muito interessante ver que as descrições reflectem muito bem o antagonismo social entre a metrópole e a colónia de São Tomé e o quanto isso é desorganizador do equilíbrio mental que vai afectando Luís Bernardo. 

David e Ann são um casal com um relevo bastante importante em todo o livro. David é colocado na ilha de São Tomé com uma missão muito específica. Ann, sua esposa, é uma mulher exageradamente bonita que ofusca a sociedade envelhecida da colónia. Por acaso, é uma personagem que nunca conquistou a minha simpatia. Desde o momento em que é narrada a sua história provocou em mim sentimentos negativos. Nunca achei que ele fosse capaz de amar alguém... De todas as suas atitudes, sempre a associe a uma mulher calculista, fria, interesseira e com um gosto particular pelas experiências sexuais. Acho que era este último aspecto que a fazia ter comportamentos muito específicos. Com ela penso que nada era por acaso. Cada um dos seus passos era bem medido e calculado... Infelizmente era suficientemente bonita e sedutora para ofuscar a clareza de pensamento dos homens a quem lançava o seu charme... Assim, nunca conseguiam ver a verdadeira Ann (embora ache que com o marido já não funcionava).

Confesso que cada uma das personagens revela uma boa construção por parte do escritor. São personagens complexas e bem definidas, que facilmente permitem ao leitor criar as suas opiniões e afinidades.

O final é surpreendente e do qual não estava particularmente à espera... Imaginei mil e um cenários possíveis para cada uma das personagens centrais mas nunca me passou pela cabeça que tal terminasse daquela forma. Confesso que, o único final que não achei merecido foi o de Ann... Ela merecia um castigo! Penso que o marido conhecia muito bem a esposa, mas estava tão cego de amor que fechava os olhos aos comportamentos dela. Mas não devia!!!

É um livro que recomendo. Apesar de ser muito descritivo (existe poucos momentos de diálogo) essa descrição só me aborreceu mais no início. Facilmente consegui entrar no ritmo e o aborrecimento desapareceu.

Deixem-se invadir pelas palavras.
Boas leituras!
Silvana

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Palavras Memoráveis

- [...] Tu sabes qual é a definição de insanidade?
- Não. Tu sabes?
- Sei. É a incapacidade de se relacionar com outro ser humano. É a incapacidade de amar. 

Richard Yates, Revolutionary Road 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Palavras Memoráveis

Um amigo é alguém de cuja presença se gosta, por quem se tem admiração, em cuja companhia se aprende.
Miguel Sousa Tavares, Equador

Top Ten Tuesday - As minhas 10 capas preferidas (FREEBIE) (5)



Top Ten Tuesday é uma rubrica original do site The Broke and the Bookish, na qual, cada semana, nos é dado um tema para o qual devemos fazer uma lista.

O Top Ten desta semana é Freebie, ou seja, somos nós a escolher o tema de hoje. Então, optei por postar as dez capas, de entre os livros que já li, que gosto mais. 


O Grande Amor da Minha Vida (O Cavaleiro de Bronze, #1)
O grande amor da minha vida - Paullina Simons

Jogo de Mãos
Jogo de Mãos - Nora Roberts

O Feitiço da Lua
O Feitiço da Lua - Sarah Addison Allen

Inverso
Inverso - Liliana Lavado

O Véu Pintado
O véu pintado - Somerset Maugham

Segue o Coração - Não Olhes Para Trás
Segue o teu coração - Lesley Pearse

A Mansão Thurston
A Mansão Thurston - Danielle Steel

A Filha da Minha Melhor Amiga
A filha da minha melhor amiga - Dorothy Koomson

Inverno de Sombras
Inverno de Sombras - Liliana Lavado

Jardim de Alfazema
Jardim de Alfazema - Jude Deveraux

terça-feira, 28 de maio de 2013

Questionário 1

Andava eu aqui a "passear" pela blogoesfera quando me "esbarro" com o blog Mil Folhas.
Enquanto lia os diferentes posts deparei-me com um questionário com umas perguntas interessantes para responder! Vou só responder ao questionário e deixar de lado as outras regras do questionário. 
Aqui ficam as minhas respostas! Espero que gostem!

1. Quais os ingredientes que compõem o livro perfeito?
Não sei se existem os "ingredientes" perfeitos... Penso que é mais a combinação que os escritores fazem desses mesmo ingredientes que tornam o livro perfeito.
Talvez por eu não ser muito esquisita em termos de leitura e sendo uma pessoa que gosta de experimentar tudo o que respeita a livros não tenho a receita "mágica" do livro perfeito!! Gosto de ser surpreendida!

2. Tens cartão de biblioteca, actualizado?
Sim e sim :). Se não fosse a biblioteca seria muito difícil alimentar este meu "vício".... De duas em duas semanas, lá vou eu trocar os livros!
Por curiosidade, há três anos atrás tinha dois cartão de biblioteca actualizados: um da minha cidade de origem e outra da cidade onde estudava (um para as férias e outro para a época das aulas).

3. Qual o teu livro preferido?
O grande amor da minha vida de Paullina Simons! É um livro simplesmente arrebatador!

4. E o que mais detestas, porquê?
Daqui a nada de José Rodrigues de Carvalho. Foi dos poucos livros que não consegui terminar... A narrativa é muito aborrecida e não me senti cativada pela história. Já foi à uns bons anos, por isso talvez volte a pegar nele....

5. Qual o género literário com que mais te identificas?
Não sei... Lá está como gosto de ler um pouco de tudo, acabo por me identificar com livros e não com géneros... Esta minha identificação também depende um pouco do momento... Pode haver alturas em que me identifique com um romance bem cor-de-rosa e noutros momento em que prefiro algo mais dramático.

6. Se tivesses de escrever algum livro, neste momento, que título lhe davas?
Pensar Positivo (há dias em que preciso de afastar pensamentos mais negativos)

7. Qual o cenário ideal para se ler um livro?  
Sozinha, no quarto, enroscada numa manta bem fofinha!

8. Quantos livros costumas comprar por mês?
Bem... Nem todos os meses costumo comprar livros. Normalmente, quando compro é para oferecer a outras pessoas. Compro muito poucos para mim, só quando quero muito o livro. Apesar de gostar deles, só sou apegada àqueles que me marcaram de alguma forma.

9. Diz-me a quinta frase do livro que estás a ler neste momento.
 Havia também a notícia de mais um aniversário do Rei Eduardo VII, passada na intimidade da Família Real e com mensagens recebidas de todos os reis, rajás, sheiks, régulos e chefes tribais desse imenso Império onde, recordava o Mundo, o Sol nunca se punha. 
Equador, Miguel Sousa Tavares

10. Cenário da Idade do Gelo, precisas de fazer um fogueira. Queimavas os livros?
Se aí estivesse, talvez nem os livros tivesse comigo. Sou tão friorenta que todo o meu espaço estaria ocupado com roupa muito quente. Por isso, teria de queimar alguma roupa!

11. Em Portugal ainda se lê muito pouco. Que medidas tomarias para incentivar a leitura junto da população portuguesa, especialmente, junto dos jovens?
É um facto que a leitura não faz parte do quotidiano dos portugueses. 
Enquanto psicóloga já usei uma forma de terapia, denominada biblioterapia, com crianças e que teve bons resultados terapêuticos ao mesmo tempo que cativou as crianças para a leitura.
Penso que o gosto pela leitura deverá ser incutido o mais cedo possível. Contar histórias, dramatizá-las... Pedir às crianças que ilustrem uma história que ouviram. Estes podem ser pequenos passos para criar o gosto pela leitura.
Em idades escolares, a maior parte das vezes, as crianças têm de ler o livros que fazem parte dos conteúdos programáticos. Esta imposição pode não favorecer o gosto pela leitura. Acho que se podiam dar as obras adequadas às crianças falar um pouco de cada uma e dar à criança a opção de escolha! Depois fazer portefólios ilustarados das histórias para partilharem com a turma. Estes portefólios poderiam ser manuais ou elaborados com recurso aos computadores... São apenas sugestões. Sei que é difícil tentar fazer algo diferente na escola quando os programas são cada vez mais apertados, quando cada vez mais se exige dos alunos, quando cada vez mais os professores se vêem abraços com turmas cada vez maiores...

domingo, 26 de maio de 2013

Por detrás da tela | The Host

Ficha Técnica
Actores principais: Saroirse Ronan, Max Irons, Jake Abel, William Hurt, Diane Kruger
Género: Ficção Científica
Ano: 2013

Classificação
4/5 Estrelas

Opinião
Andava com bastante curiosidade em ver este filme. Depois de uma leitura fantástica do livro Nómada (opinião aqui) queria ver se o filme conseguia transmitir a mensagem. Apesar de o filme não ser perfeito, uma vez que dá a sensação que tudo acontece demasiado rápido, consegue transmitir as ideias essenciais do livro: a luta pela sobrevivência, a aceitação do que é diferente, a amizade e o amor...

Não é fácil condensar em duas horas a densidade de um livro com 836 páginas. Devido a esta dificuldade, o espectador poderá ter a sensação de que tudo se desenvolve demasiado depressa... As personagens não passam tempo suficiente para transmitir as ligações que se vão estabelecendo. Basicamente, o filme foi buscar os pontos chave do livro, organizou-os e conseguiu elaborar uma sequência coerente e perceptível. Convém alertar que mesmos estes episódios chave sofreram algumas alterações, ou seja, não reproduzem de forma fiel o que acontece no livro.

Gostei bastante do desempenho de Saroise Ronan como nómada. Não é o primeiro filme que vejo com esta actriz e já tinha gostado dela no primeiro filme que vi (Visto do céu). O dilema entre o hospedeiro, Melanie, e a alma, Nómada, está muito bem caracterizado pela actriz e consegue transmitir a mesma intensidade que no livro transparece!

* Spoiler* - Início
No final do filme, tal como acontece no livro, a alma de Nómada e inserida noutro corpo... Fiquei tão desiludida com a actriz escolhida para esse corpo. Não se encaixava, em nada, na imagem mental que eu tinha criado na leitura. 
No livro, a descrição que acompanha este episódio leva-nos a criar um certo tipo de imagem de pessoa capaz de corresponder a tudo ao que é descrito. A actriz do filme fica um pouco longe dessa descrição... Falta-lhe a tal luz que se tão bem é descrita no livro.
* Spoiler* - Fim

Tal como acontece em quase todas as adaptações de livros, aconselho a lerem primeiro livro antes de verem o filme... Acho que ficam com uma percepção bastante diferente. Em todo caso é um filme que recomendo!

Deixem-se invadir pelas imagens.
Silvana

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Palavras Memoráveis

(...) quando se quer fazer alguma coisa absolutamente honesta, alguma coisa verdadeira, temos de a fazer sozinhos.
Richard Yates, Revolutionary Road

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Por detrás do autor | Rute Canhoto


Desta vez, a autora que se sujeitou às minhas perguntas foi a escritora Rute Canhoto!
Recentemente, a escritora disponibilizou o seu livro para que os bloggers o lessem e emitem-se a sua opinião sobre o mesmo. Como gosto de ler e como valorizo os escritores portugueses, não poderia deixar passar esta oportunidade em branco!
Para quem é distraído e ainda não teve a fantástica oportunidade de se cruzar com as palavras desta escritora fica aqui uma pequena entrevista que, muito amavelmente, a Rute respondeu. Esperamos que fiquem curiosos em relação à escritora e aos seus livros!

1. É difícil falar de nós próprios, mas gostaria que em três palavras definisses quem é a Rute enquanto pessoa e o porquê de cada uma dessas palavras.
A Rute, isto é, eu, sou sonhadora, persistente e esperançosa. Sonhadora, porque tenho grandes sonhos e gostaria de alcançar um monte de coisas; persistente, porque luto e persigo os meus sonhos; e esperançosa, porque tento dar o meu melhor e espero que o resultado seja do agrado de todos.

2.  E enquanto escritora?
Descrever-me-ia exatamente da mesma maneira: sonho com as minhas histórias, tento levá-las o mais longe possível e espero que as pessoas gostem, embora, e como se costuma dizer, “não seja possível agradar a Gregos e Troianos”…

3.Consegues definir um momento em que o teu gosto pela escrita e pelas palavras despertou?
Logo que aprendi a escrever. Assim que aprendi a escrever, comecei logo a escrever contos e até poesia, com versos muito maus, mas que ao menos rimavam, lol!  

4. Para além da escrita a leitura é algo que faz parte do teu quotidiano? Quais são os livros que fazem com que a tua mente se perda pelas suas páginas?
Sim, a leitura faz parte do meu quotidiano: tento ler um pouco todas as noites quando me deito, até porque me ajuda a relaxar, transportando-me para outro mundo. Gosto de vários tipos de livros, mas perco-me por romances e histórias relacionadas com o paranormal. Se puder combinar as duas coisas, melhor ainda.

5. “Perdidos” não é o teu primeiro livro, em que medida os anteriores contribuíram para o nascimento deste?
Antes do “Perdidos”, escrevi o romance histórico “Almira, a Moura Encantada” e um conto de Natal, embora poucas vezes o mencione, pois atribuo maior importância ao primeiro. “Almira” contribuiu para o nascimento de “Perdidos” na medida em que já tinha cumprido o meu objetivo primordial: começar por escrever algo relacionado com a terra de onde sou oriunda. A partir daí, senti-me libertada para poder enveredar por outros géneros e explorar outras vertentes.

6. Fantasia é o género literário em que o livro “Perdidos” se insere e, igualmente, o género literário do momento. O que é que te fascina neste género?
As possibilidades infinitas. Podemos ler mil livros sobre o mesmo tipo de entidade sobrenatural e esta ser sempre abordada de maneira diferente, com novas características. Mas o “Perdidos” não é fantasia por ser o género “do momento” – simplesmente achei que, e como referi, como já tinha feito o que queria, e que era começar por escrever sobre algo da minha terra, podia partir para aquilo de que realmente gosto (a fantasia).

7. O processo de escrita nem sempre flui do mesmo modo. Quais foram as tuas principais facilidades e dificuldades na escrita do “Perdidos”?
A história foi fácil de criar, fluiu-me bem, melhor nuns dias, escrevendo menos páginas noutros, mas sempre a escrever. O mais difícil… bem, foram duas coisas: a primeira foi não ser tão detalhada, pois gosto de uma história sem grandes saltos temporais e “corrida”, mas isso tornava-a demasiado chata e demorada; em segundo, foi tentar ir ao encontro dos gostos de toda a gente. Pedi diversas opiniões, mas foram sempre tão contrárias umas às outras, que só encolhi os ombros e segui o coração. É uma deixa lamechas, mas às vezes temos que segui-lo e deixar que a nossa intuição nos guie. Deus que foi Deus não agradou a todos, quanto mais eu, lol!

8. Relativamente às personagens que habitam as páginas do livro, quer-nos falar um bocadinho do seu nascimento? Quais as principais inspirações para a sua criação?

O Lucas é a entidade sobrenatural de que precisava e queria-o um anti-herói que pudesse evoluir. O Joshua é uma personagem romântica, um pouco infantil às vezes, mas que vai fazer correr muita tinta nos próximos livros. Por último, a Marina é a rapariga atinada, cuja vida irá mudar. Quanto às inspirações para a criação das personagens, parti daquilo que gosto de encontrar nos outros livros. Sempre ouvi dizer que devia escrever um livro que eu quisesse ler – foi o que fiz: peguei no que gosto e transportei-o para a minha escrita. Embora possam considerar que isso vai de encontro ao que está “na moda”, para mim, vai ao encontro é do que gosto, e se não gostarmos daquilo que fazemos, para quê fazê-lo então?

9. O que é que podemos esperar dos próximos livros? Já tens uma data definida para o lançamento do segundo volume?
Estou a escrever o segundo volume neste momento. Gostaria de lançá-lo até ao final do ano, mas, estando a trabalhar e tendo pouco tempo para escrever, vai ser difícil atingir essa meta, embora isso não signifique que não vá tentar. Nos próximos livros podem esperar algumas reviravoltas inesperadas, vou tentar tornar as coisas mais “dark” e incluir mais ação, e nem tudo será o que parece. Sendo muito sincera, e porque é um trabalho em andamento, tenho lido as opiniões que têm sido publicadas e tenho procurado ir ao encontro do que me sugerem, até porque tenho interesse em agradar ao leitor, embora mantendo a minha liberdade criativa.

10. Por fim, como gostarias que a tua carreira de escritora evoluísse?
Gostava de ter uma carreira de escritora real. Quero dizer, eu escrevo, mas as minhas histórias apenas chegam a um número limitado de pessoas, não houve nenhuma “grande” editora que decidisse pegar em nenhum dos meus trabalhos… Enfim, gostaria que isso mudasse, até porque não escrevo só para mim – quero partilhá-lo com tantas pessoas quanto possível. É demasiado ambicioso? Talvez, mas podemos sempre sonhar =) Ah! E obrigado por esta entrevista; fico-te muito agradecida por ela e por teres lido o meu livro ;-)

A minha fotografia
 Obrigada Rute!

Rute Canhoto nasceu em 1984 e escreve desde que a professora a ensinou a juntar as letras na escola. Fã inequívoca do mundo literário, estreou-se desde cedo no panorama dos contos infantis e da poesia. Licenciada em Comunicação Social, publicou o seu primeiro livro em 2008, um romance histórico intitulado “Almira, a Moura Encantada” (Corpos Editora). No ano seguinte lançou o conto “Clara e o Natal” (EuEdito).

Para mais informações sobre a autora, podem consultar:
            

domingo, 19 de maio de 2013

[Opinião] Revolutionary Road


Revolutionary Road

Autor: Richard Yates
Ano: 2009 (Edição Portuguesa)
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 285 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Desafio: Novos autores/ De A a Z...

Sinopse

O primeiro romance de Richard Yates tornou-se um clássico logo após a sua publicação em 1961. Nele, Yates oferece um retrato definitivo das promessas por cumprir e do desabar do sonho americano. Continua hoje a ser o retrato da sociedade americana.

Um casal jovem e promissor, Frank e April Wheeler, vive com os dois filhos num subúrbio próspero de Connecticut, em meados dos aos 50. Porém, a aparência de bem-estar esconde uma frustração terrível resultante de incapacidade de se sentirem felizes e realizados tanto no seu relacionamento como nas respectivas carreiras.
Frank está preso num emprego de escritório bem pago mas entediante e April é uma dona de casa frustrada por não ter conseguido seguir uma promissora carreira de actriz. Determinados a identificarem-se como superiores à crescente população suburbana que os rodeia, decidem ir para França, onde estariam mais aptos a desenvolver as suas capacidades artísticas, livres das exigências consumistas da vida numa América capitalista. Contudo, o seu relacionamento deteriora-se num ciclo interminável de discussões, ciúmes e recriminações, o que irá colocar em risco a viagem e os sonhos de auto-realização. 

Opinião
Terminei a leitura deste livro um pouco por teimosia, uma vez que as duas primeiras partes me estavam a arrastar para uma insatisfação com a leitura. São duas primeiras partes um pouco aborrecidas onde os acontecimentos surgem a conta-gotas. Confesso que, para mim, são duas partes um pouco metafóricas, ou seja, tal como a rotina que se instalada na convivência de duas pessoas tornando a vida aborrecida, a descrição dessa mesma rotina torna as páginas em que ela é descrita aborrecidas. 

Como não conhecia o autor, nem tinha se quer ouvido falar do livro devem estar a perguntar-se porque é que me decidi por esta leitura. A resposta é simples. Fui enfeitiça pela sinopse e pela promessa de o livro retratar um fase da vida pouco abordada nos livro. Basicamente, muitos dos livros nos apresentam, implícita ou explicitamente, típica frase final "Casaram e viveram (in)felizes para sempre". Mas o que é que acontece a seguir? Será mesmo uma felicidade para sempre? No caso de April e Frank, o felizes para sempre deixou de fazer parte das suas vidas! Senti falta de uma maior exploração desta infelicidade na primeira e segunda partes... Achei excessiva a quantidade de texto dedicada a fase profissional de Frank, em poucos capítulos era possível descrever a sua insatisfação perante aquele trabalho. Porém, o autor decidiu arrastar por mais algumas páginas.

Na terceira parte, as coisas melhoraram significativamente!  Finalmente, o drama chegou em toda a sua força e ofereceu-me aquilo que estava à espera desde as primeiras páginas: um abalo significativo no casamento de Frank e April. Anteriormente, dava a sensação que esta casal andava a brincar às discussões, encobrindo grande parte dos problemas que os atormentavam. Eles sabiam que eles existiam, mas em vez de os discutirem atribuíam a culpa ao exterior e à necessidade de mudar de espaço. 
A  minha análise da relação destes dois e a possível causa para o mau funcionamento deles enquanto casal resume-se a uma única questão: não tiveram tempo para crescer enquanto seres individuais e desenvolver as suas personalidades. A gravidez precoce de April atirou-os para um casamento instável e sem sustentação sólida. 
Não gostei muito deste dois, porque muitas das vezes não percebia onde é que eles queriam chegar com alguns comportamentos. 

Para além deste casal, existem mais dois casais também um pouco disfuncionais. Pessoalmente, gostaria de saber mais do casal Campbell. Acho que também iriam emergir coisas muito interessantes e era capaz de tornar o livro mais interessante. No fundo, era servir o real propósito do livro: exploração de relações em casais depois do casamento.

É uma leitura difícil e complexa, capaz de nos atirar para estados um pouco depressivos. Apesar desta complexidade, acho um livro bastante realista e que retrata com muito bem as consequências de um casamento precoce e pensado de forma um pouco inconsciente. 

Este livro deu origem a um filme com o mesmo nome. Não posso fazer comparações porque ainda não o vi. 
E desse lado, já leram ou viram o filme?

Deixem-se invadir pelas palavras.
Boas leituras.
Silvana

sábado, 18 de maio de 2013

Por detrás da tela | (500) Dias com Summer

Ficha Técnica
Actores Principais: Joseph Gordon-Levitt (Tom), Zooey Deschanel (Summer)
Género: Drama / Comédia Romântica
Ano: 2009

Classificação
1/5 Estrelas

Opinião
Este filme traz-nos a história de amor, vivida em 500 dias, entre Tom e Summer. Eles conhecem-se no local de trabalho, uma vez que Summer é contratada como nova assistente do chefe de Tom. Assim, ao longo do filme somos presenteados com avanços e recuos no tempo que nos vão oferecendo uma visão deste romance que, para mim, está condenado desde o início. 
Pessoalmente, não senti química nem empatia entre estes dois elementos. Pareciam dois estranhos obrigados a viver um casal romântico na tela do cinema. A personalidade das personagens também não me despertou qualquer tipo de entusiasmo. Tom ficou obcecado pela Summer, obsessão esta um pouco distante e irrealista. Summer é uma personagem estranha que parece não saber o que quer.
Não consegui perceber a intenção deste filme, nem o que ele pretendia transmitir. Os constantes avanços e recuos no tempo não oferecem coerência e consistência ao enredo do filme. Foi um filme que me aborreceu!!
Na minha opinião, faltava qualquer coisa ao filme para o tornar especial... Qualquer coisa esta que eu não consigo identificar.  

E desse lado, já viram este filme? Ficaram com uma melhor impressão?

Deixem-se invadir pelas imagens!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Palavras Memoráveis

A escrita é uma longa introspecção, é uma viagem até às cavernas mais obscuras da consciência, uma lenta meditação.
Isabel Allende, Paula

domingo, 12 de maio de 2013

Por detrás da tela | Um homem com sorte

Ficha Técnica
Actores: Zac Efron, Taylor Schilling, Blythe Danner, Jay R. Ferguson
Género: Drama
Ano: 2011

Classificação
3/5 Estrelas

Opinião
A maioria das vezes escolho ler o livro primeiro e só depois é que vejo o filme. Neste caso, as coisas processaram-se um pouco e forma diferente. À cerca de dois anos tentei ler o livro, mas as primeiras páginas conduziram-me a um tédio profundo. Conclusão: abandonei o livro na esperança de voltar a ele numa outra fase.
Quando o filme aparece achei que o devia ver no sentido de me cativar para depois ver o livro. Em parte, o meu interesse foi avivado. Gostei da história que vai acompanhando o desenvolvimento do relacionamento entre os dois personagens principais. Porém, o casal Zac & Taylor não funciona. Ela tem um aspecto físico que a faz parecer muito mais velha do que ele o que dificulta ao espectador sentir-se ligado àquele relacionamento.
É um filme que vai entretendo, mas não é capaz de provocar sentimento, de apelar à nossa sensibilidade. Penso que há apenas um único momento capaz de provocar alguma emoção. Acontece mais no final do filme e envolve o filho de Beth (Taylor), o seu ex-companheiro (pai da criança) e Logan (Zac).

E desse lado, quais as vossas impressões acerca deste filme?

Deixem-se invadir pelas imagens!
Silvana

sábado, 11 de maio de 2013

Poetic Dreams


E como esta semana ando numa de saudosismo, o Poetic Dreams será em homenagem a esta "minha" cidade. 

Balada da Despedida 2012
Perdido no mar negro da memória
Vejo o rumo a seguir.
Traço minha alma em lembrança
Deste abraço que me quer fugir.

Oh Sé! Levo a saudade
Que contigo aprendi a chorar.
Feitiço desta cidade!
Vou preso ao me libertar.

Sonho em ficar!
Sonhar é partir!

Sinto-me em vozes do outrora.
Escondo o pranto. Vou sorrir!
Cantam as cordas a minha hora
No silêncio que me vê partir.

Choro a certeza do Passado:
Poema eterno de um instante;
Sonhos, versos, vida... Os receios
De um Fado tão distante.

Oh Sé! Levo a saudade
Que contigo aprendi a chorar.
Feitiço desta cidade!
Vou preso ao me libertar.

Sonho em ficar!
Sonhar é partir!

Sinto-me em vozes do outrora.
Escondo o pranto. Vou sorrir!
Cantam as cordas a minha hora
No silêncio que me vê partir.

Hoje Coimbra... Amanhã saudade!







Paula [Opinião]


Paula

Autor: Isabel Allende
Ano: 1994
Editora: Difel
Número de páginas: 368 páginas
Classificação: 3 Estrelas
Desafio: Novos autores

Sinopse
Esta obra de Isabel Allende possui e prossegue duas qualidades essenciais à sua narrativa e ao seu estilo literário: a densidade e a intensidade. Sendo um representação do sofrimento e das memórias, Paula é um documento multi-biográfico, como de resto são em grande parte os seus outros romances, e neste se configura como uma viagem dupla em presença do estado comático da filha e da acumulação das experiências de outras dores, entremeadas de alegrias, da mãe. Paula é tanto um diálogo à cabeceira de uma doente clinicamente privada de consciência, como um solilóquio de grandeza e fragilidade, a tentativa de unir a ideia do amor como única ponte de salvação humana, à realidade do sofrimento tanta vez absurdo e indecoroso. Um livro que marca uma nova etapa, deslumbrante, na carreira de Isabel Allende. 

Opinião
Este foi o primeiro livro que li de Isabel Allende. É um livro tocante, reflexivo, emocional. Aqui encontramos uma mãe que utiliza as palavras para "imprimir" as angústias de um coração em sofrimento.
Isabel Allende, a mãe em sofrimento, Paula, a filha que gradualmente se afasta do mundo terreno. Uma doença, porfíria, empurra Paula para o mundo da inconsciência e deixa todos aqueles que amam num terrível sofrimento.

Com este livro Isabel dá voz ao seu sofrimento e oferece ao leitor um dos relatos mais comoventes que já alguma vez li. Poderá ser um livro difícil de "digerir" caso o leitor esteja ou tenha passado por uma situação semelhante, uma vez que a riqueza das palavras oferece um relato vívido das emoções de uma mãe que, de um momento para o outro, vê a sua filha perder a vitalidade, a força de viver, o gosto pela vida.

Emocionei-me! Não estava à espera de uma escrita tão profunda. De um relato muito sentido e que nos deixa sem palavras para o descrever. Ernesto, o marido de Paula, demonstra um sofrimento igualmente comovente... Tão comovente que chegamos ao ponto de querer saltar para aquelas páginas e, simplesmente, abraça-lo no silêncio do seu sofrimento! Gostaria de ver mais do Ernesto nestas páginas para perceber melhor o nascimento da sua ligação com a Paula.

O aspecto que menos gostei no livro foi a confusão dos acontecimento. Isabel Allende não seguia uma sequência cronológica na narração dos acontecimentos que foram pautando a sua intensa vida! Por vezes, sentia-me um pouco perdida nos meandros das guerras civis, dos amores (im)perfeitos que marcaram o coração da escritora.

Não é fácil lidar com a morte de um filho. Porém, confesso que concordo com a atitude final de Isabel: ajudar a filha a morrer. No fundo, permitiu-lhe todas as condições para que ela morresse em paz e tranquila. Não é uma decisão fácil e está muito longe de reunir consenso. Mas, questiono-me diversas vezes o para quê de prolongar uma vida com mil e um tratamentos quando sabemos que não irão resultar?
Pessoalmente, não gostaria de viver na inconsciência só porque as pessoas que gostam de mim querem que eu continue ali... Compreendo o lado delas, mas, ao mesmo tempo, não deixo de pensar que é existe uma certa pontinha de egoísmo nisto tudo.

Um livro que vale a pena ser lido pela profundidade emocional que transmite, pela introspecção que suscita no leitor...

Deixem-se invadir pelas palavras!
Boas leituras.
Silvana 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Palavras Memoráveis

- Quanto tempo passou?
- Não sei. Uns minutos?
- Onde está o teu relógio tão exacto?
- Não trouxe. Quis que o tempo deixasse de avançar. - Pestanejou e fechou os olhos.


****

- Shura, como é possível termos tanta intimidade? Uma ligação tão forte desde o início?
- Nós não temos intimidade?
- Não?
- Não. Nem nenhuma ligação forte?
- Não?
- Não. Estamos em comunhão.

Paullina Simons, O grande amor da minha vida

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Perdidos (Série Perdidos #1) [Opinião]


Perdidos

Autor: Rute Canhoto
Ano: 2012
Número de Páginas: 352 páginas
Classificação: 4 Estrelas
Desafio: Novos autores / Reading Romances

Sinopse

Marina, de 17 anos, leva uma vida monótona e confortável, centrada no objectivo de ter boas notas para entrar na universidade.
Findas as férias de verão, tem início um novo ano lectivo que se revela repleto de novidades, entre elas Lucas. A misteriosa figura do aluno desperta-lhe a atenção, apesar da aura obscura que o rodeia. Mais tarde, Joshua junta-se à turma e um turbilhão de sentimentos contraditórios assola Marina, deixando-a confusa e sem saber que caminho seguir. E se fizer a escolha errada?
Em simultâneo, o cosmos da rapariga fica completamente virado do avesso com uma série de inexplicáveis acidentes, que parecem querer colocar um ponto final na sua existência. Afinal, o que se estará a passar? A resposta será uma revelação inesperada, que dará a conhecer ao mundo os Perdidos.


Este é o primeiro volume da trilogia Perdidos, uma série na qual coração e razão entram em conflito. Nem sempre o que gostaríamos de ter é o melhor para nós. Mas e se o que nos dizem não ser bom para nós, é exactamente aquilo de que precisamos? Viver implica correr riscos, demasiado grandes às vezes.


Opinião

Em primeiro lugar quero agradecer à Rute a amabilidade em disponibilizar o seu livro para que os autores de blogs o pudessem ler. OBRIGADA RUTE!

Perdidos conta-nos a história da adolescente Marina que, de uma momento para o outro vê a sua vida virada do avesso. Coisas estranhas começam a dificultar-lhe a sobrevivência, mas por obra de forças estranhas acaba por se salvar dessas mesmas desventuras.

Marina é uma adolescente comum, com preocupações normais para a sua idade. É fácil empatizar-mos com ela. O seu comportamento vai evoluindo ao longo do livro. Esta mudança parece um pouco repentina para o tipo de personalidade que nos é apresentada, mas penso que é justificável perante as coisas estranhas com que é obrigada a lidar e com o despertar do amor no seu coração, até ao momento fechado... Se o amor tem razões que a própria razão desconhece tem, igualmente, comportamentos que o pensamento racional não consegue explicar. Penso que isso foi o que aconteceu com Marina, ela vê envolvida e em situações, de uma forma tão repentina, que não há uma explicação lógica para tudo aquilo. Embora ela a tenha tentado procurar.

Ana, a sua melhor amiga, é uma personagem engraçada e com uma amizade bastante credível com Marina. Este aspecto é algo que transparece de forma muito clara através da escrita da Rute. Acho que  Ana tem como principal função na história aligeirar o ambiente, tornando-o mais engraçado. Gostei desta Ana!!

Em relação aos rapazes que preenchem as páginas deste livro é claro que destaco Lucas, o lado negro da história. Lucas representa o fantástico do livro, aquele que está por detrás das coisas inexplicáveis de Marina! Não esperem encontrar aspectos comuns com outros livros. Muito inteligentemente, a Rute introduziu conceitos inovadores e aspectos diferentes daquilo que os livros do género nos têm oferecido. Para mim, este é um aspecto muito importante porque me fez continuar a ler o livro e a ficar presa às palavras. Estava muito curiosa por saber os segredos de Lucas, o que é que ele escondia, qual a sua verdadeira história! 
Confesso que pensava que Joshua também era detentor de segredos mágicos e de poderes e capacidades que a razão é incapaz de explicar, mas, neste volume tal não se confirmou! Será que irá acontecer algo nos próximos volumes? Aguardo ansiosamente....

Os aspecto menos positivos do livro são a existência de alguns erros e o final um pouco frio. Confesso que estava à espera que a história culminasse de forma diferente.

É um bom livro, de uma escritora portuguesa que merece o nosso reconhecimento. Acho que devíamos dar mais oportunidade àqueles que são os nossos escritores! As lutas constantes que eles enfrentam para ver o seu trabalho reconhecido e apreciado pelos leitores merece um pouco mais da nossa atenção.

Deixem-se invadir pelas palavras!
Boas leituras.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Palavras Memoráveis

Talvez estejamos no mundo para procurar o amor, encontrá-lo e perdê-lo, várias vezes. A cada amor voltamos a nascer e com cada amor que acaba abre-se uma chaga.
Isabel Allende, Paula

Um novo sentido para a vida - Opinião



Autor: Lolly Winston
Ano: 2006
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 364 páginas
Classificação: 4 Estrelas
Desafio: Novos autores / De A a Z...

Sinopse
Este romance de estreia da americana Lolly Winston foi acolhido com grande entusiasmo. É uma história emocionante sobre uma jovem mulher que perde o companheiro após três anos de um casamento feliz. A autora acompanha as pungentes fases do luto da sua protagonista com grande realismo e inteligência sensibilidade, mas este não é um livro triste porque a narradora e protagonista domina a arte do humor, fazendo rir com frequência o leitor mostrando o lado caricato das situações em que se coloca. Ela acabará por não suportar continuar a conviver com os lugares onde foi tão feliz, deixa o emprego, vende a casa e parte para junto da sua melhor amiga. A dor porém viaja com ela, e Sophie vê-se obrigada a enfrentá-la sem fuga possível. Brilho e fascínio são palavras muitas vezes escolhidas para descrever o primeiro romance desta novíssima e refrescante voz da ficção contemporânea, cujos direitos de tradução foram adquiridos por 15 países, dos Estados Unidos à Europa e até países como o Japão, China e Coreia.

Opinião 
Este foi um livro que trouxe da biblioteca sem ter nenhuma referência acerca dele. Foi uma escolha totalmente ao acaso e não me arrependi.

Sophie é uma mulher que de um momento para o outro vê a doença instalar-se na sua casa e "rouba-lhe" o marido com quem está casada à três anos. Confrontada com a morte, Sophie cai no abismo da tristeza e da solidão e dá início a um dos processos mais difíceis da condição humana: o processo de luto.
O conteúdo é bastante fiel àquilo a que podemos chamar de processo de luto. Sophie passa pelas diferentes fases, ultrapassando problemas diversos e ganhando a força necessária para ultrapassar uma fase de grande tristeza. É um relato que apesar de trespassar a tristeza consegue, em alguns momentos fazer-nos sorrir e, no fim sentimo-nos satisfeitos com a evolução emocional de Sophie.

A grande luta de Sophie foi perceber que fisicamente as pessoas morrem, mas continuam no nosso coração. Felizmente é um lugar que não permite despejos nem substituições. Uma vez alojadas aí as pessoas permanecem por tempo indefinido. Sophie foi percebendo isso... Fisicamente, o seu marido tinha deixado de estar presente, mas no seu coração haverá sempre um lugar para ele, mesmo que apareçam outras pessoas. 

Ao longo do livro é fácil entrarmos no mundo emocional da personagem, ficar feliz com as suas vitórias e conquistas. É como observar a cor surgir num lugar cinzento! 

Confesso que não gosto muito do título. À primeira vista parece um livro de auto-ajuda e isso pode afastar alguns leitores pouco fãs (como eu) deste género de livros. Um aspecto que também não me cativou muito foi o namorado que conquistou Sophie... Eles não têm nada que ver um com o outro. Não senti muita empatia com o senhor.

Deixem-se invadir pelas palavras.
Boas leituras

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Homens, dinheiro e chocolate - Opinião


Homens, Dinheiro e Chocolate

Autor: Menna Van Praag
Ano: 2010
Editora: Quinta Essência
Número de páginas: 211 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Desafio: Novos autores

Sinopse
Maya é uma mulher como tantas outras, que passa os dias a sonhar com uma vida perfeita, plena de amor, sucesso e prazer. Tenta encontrar o homem ideal e a tão desejada realização profissional, e afoga as desilusões comendo chocolate. Mas isto apenas faz com que se sinta vazia e perdida. É então que Maya conhece alguém misterioso e é levada a embarcar numa viagem espiritual para descobrir o que tem andado a perder durante toda a sua vida...

Uma fábula doce e comovente sobre o amor, a coragem e a revelação, Homens, Dinheiro e Chocolate desvenda o que pode acontecer quando se abre o coração aos segredos espirituais que o mundo material encerra. Esta história mostra-lhe sem se perder a si própria, encontrar um trabalho que preencha o seu espírito e apreciar chocolates como uma fonte de prazer e não de sofrimento. 

Opinião
Homens, Dinheiro e Chocolate é um livro pequeno e que se lê muito facilmente. Nestas páginas encontramos a vida de Maya, as suas tristezas, as suas frustrações, os seus sonhos e a forma como ela tentou virar a sua vida do avesso para conseguir sair do poço de infelicidade e de insatisfação em que se encontrava.

Penso que a autora deveria ter estendido mais a história. Tudo acontece demasiado rápido. O leitor nem tem tempo para absorver os acontecimentos anteriores que já está a ser encaminhado para uma nova fase da vida de Maya. Porque é que eu acho que esta não é a forma mais correcta para este livro? Pelos simples facto de dá a sensação ao leitor que podemos, muito facilmente, sair de uma situação e entrar numa nova situação. É tudo muito impulsivo, e um estado depressivo exige tempo para ser ultrapassado.

Quem pretender um romance muito leve e uma leitura rápida, este livro assume-se como uma boa opção de leitura. Um aspecto muito positivo são as receitas do final do livro. Pareceram-me bastante deliciosas e talvez experimente (prometo que depois mostro o resultado).

Deixem-se invadir pelas palavras!
Boas leituras...
Silvana

Palavras Memoráveis

Eu cheguei à conclusão de que é importante sabermos apreciar a vida que nos calha e conseguirmos de algum modo libertarmos-nos da vida que sonhamos.
Lolly Winston, Um novo sentido para a vida

Top Ten Tuesday - Palavras/Tópicos que me fazem comprar/pegar instantaneamente num livro





O Top Ten desta semana pretende que elegemos as 10 palavras/tópicos que me fazem comprar/pegar instantaneamente num livro. 




1. Amor: Confesso que não resisto a uma boa história de amor... Sim daquelas bastante românticas cheias de dramatismo e impossibilidades. Gosto dos happy ends, mas também aguento os menos felizes se fizerem sentido.

2. Morte: Eu sei que este tópico pode parecer desagradável para muita gente, pessoalmente gosto de livros que abordem este tema e a forma como as personagens lidam com ela. Geralmente, um livro onde a morte é enquadrada com boas reflexões, suscita-me, igualmente, grandes reflexões.

3. Mistério: Adoro os livros que conseguem prender o leitor a um bom mistério para resolver. É uma leitura mais activa uma vez que estamos, constantemente, a elaborar teorias para a resolução do mesmo.

4. Casas antigas: Por experiência, os livros que tenho lido que associam casas antigas despertaram sempre o meu interesse, também pelo facto de estas histórias estarem também associadas ao mistério.

5. 2ª Guerra Mundial: É uma época histórica que, pessoalmente, me fascina. História foi uma disciplina que só me acompanhou até ao 9º ano e a temática da Segunda Guerra Mundial não foi muito aprofundada. Porém despertou o meu interesse e vontade de saber mais sobre o tema.

6. Cultura: Adoro os livros que nos remetem para uma cultura diferente da nossa. Gosto muito de conhecer os aspectos culturais, as tradições que marcam um determinado país ou região. De toda a diversidade cultural existente tenho mais curiosidade pela cultura indiana e islâmica. 

7. Livros: Porque adoro "enterrar" o meu pensamento nas palavras, porque os livros são mágicos é óbvio que livros que abordem outros livros tornam-se um verdadeiro paraíso.

8. Poesia: Este género literário faz-nos viajar, sonhar... Existem livros em que a poesia  assume um papel importante no desenvolvimento da narrativa.

9. Crimes: Estes também estão bastante associados ao mistério, daí despertarem o meu interesse. Um bom policial consegue-me agarrar às páginas e a uma leitura compulsiva.

10. Psicologia: É a minha área de formação e por isso gosto de ver quais os mitos que os livros, por vezes, lançam sobre a psicologia e sobre o seu papel na sociedade.