sábado, 31 de janeiro de 2015

Português no Feminino: Palavras de Carina Rosa

De forma encerrarmos a primeira leitura para o desafio Português no Feminino 2015 decidimos dar a conhecer a autora, através das suas próprias palavras. 

Poderíamos ter ido pelo caminho mais fácil recolhendo umas informações da autora através da internet, mas a entrevista permite que o leitor consiga conhecer melhor a escritora e a pessoa que está por detrás dos livros que nos dá a oportunidade de ler. 


Por isso aqui ficam as nossas trocas de ideias:



1. O teu percurso literário já tem algum tempo. Partilha connosco as coisas boas e as coisas menos boas que a entrada no mundo da literatura te ofereceu.

Coisas boas: as pessoas que conheci, não apenas leitores-beta e bloguers, mas amigos com os quais me identifico e que entendem este meu mundo; o carinho dos leitores, que não se limitam a ler aquilo que escrevo, incentivando-me, ainda, a escrever mais e a nunca desistir; a aprendizagem daquilo que é a literatura e um grande crescimento em relação às técnicas de escrita criativa e de estrutura; as opiniões positivas, claro, porque me fazem feliz, e as negativas, porque me fazem crescer.

Coisas menos boas: talvez a exposição ao público. Muito do que um autor escreve mostra a sua visão pessoal das coisas. Transportamos muito para as personagens e isso coloca-nos numa situação complicada: expõe-nos a pessoas que não conhecemos e que não nos conhecem e que passam a fazê-lo. É uma grande responsabilidade escrever assim e mostrá-lo ao mundo. Depois, é preciso pensar muito bem naquilo que fazemos para não desiludir aqueles que um dia acreditaram em nós. 



2. Durante o processo de escrita de um livro passas por imensas fases. O que é que é mais fácil e mais difícil durante a escrita de um livro.
Mais fácil: o romance e o dramatismo, duas áreas em que me sinto à vontade e das quais gosto imenso.

Mais difícil: o enredo e as personagens. O enredo porque não é fácil torná-lo credível e fazê-lo funcionar. As personagens porque têm de estar bem caracterizadas, sem dúvidas, sem incongruências. Penso que o mais difícil, numa obra, é mesmo o planeamento e o processo de criação do enredo e das personagens, porque é mais fácil escrever quando sabemos onde estamos e aquilo que queremos.


3. Para quem nunca leu nenhuma obra tua, quais as características que podes apontar e que o leitor vai certamente encontrar.
Muito romance, algum drama e muito, muito suspense.


4. É dentro do género contemporâneo que te sentes bem a escrever ou pensas que consegues tornar-te camaleónica ao ponto de te aventurar por um outro género? 
Bem, eu já me aventurei por outro género, o policial, no qual estou a trabalhar de momento. Pessoalmente, acho que será uma mais-valia para mim enquanto escritora, porque é diferente de tudo o que tenho feito até aqui. No entanto, sim, o contemporâneo é o género em que me sinto mais à vontade. É bom, porém, sair da nossa zona de conforto e tentar outras coisas, alargar os nossos conhecimentos e capacidades. «O Escultor» está a ser um desafio e penso que quando estiver no ponto, vou respirar de alívio e ter ainda mais orgulho em mim mesma. Não são só os leitores que se fartam dos autores, quando lêem muita coisa dos mesmos e o estilo está sempre lá, começando a tornar-se maçador. Nós, autores, também nos fartamos, por vezes, daquilo que fazemos. Fugir ao contemporâneo foi uma boa decisão, embora planeie voltar, claro, à minha casa de sempre. Não é fácil ser um camaleão, mas estou a tentar sê-lo cada vez mais. Todos temos várias facetas e mais habilidades do que aquilo que pensamos.


5. “A Sombra de um passado” é o teu terceiro livro publicado. O que é que sentes com mais esta conquista?
«A Sombra de um Passado» é um livro importante, não só porque tenho um carinho muito especial por ele e o acho mesmo “fofinho”, mas também porque foi aceite por uma grande editora e isso levou-me a acreditar mais no meu trabalho. O facto de ter sido publicado por uma chancela da Porto Editora alargou-me horizontes e fez-me chegar a leitores diferentes, mesmo que tenha sido apenas em e-book. Creio que, em papel, chegaria a ainda mais. Foi sem dúvida uma conquista que me deixou muito feliz.


6. Como surgiu a ideia de escreveres “A Sombra de um passado”?
Surgiu numa noite especial de Verão, através de uma história que me foi contada. Este livro tem uma base real, com contornos fictícios que eu criei para passar a história para o papel.


7. Todas as personagens deste livro têm características que as aproximam muito da realidade. Como é que fazes para conseguir captar essa essência? Há alguma personagem pela qual tenhas um carinho especial?
Bem, eu tento colocar-me na pele das personagens, pensar naquilo que fariam em determinada situação. Rio e sofro com elas, daí, talvez, parecerem tão reais. Na verdade, eu acho que elas o parecem porque eu as vejo assim. Para mim, existem para lá do papel e poderiam ser qualquer de nós. Aliás, se o leitor não sentir o mesmo, não consegue entrar na história. Neste livro, confesso que a minha personagem favorita é o Hugo. A força desta história vem dele, ainda que seja o vilão. É ele que faz girar tudo à sua volta. Eu adoro vilões. Têm uma força que por vezes não encontramos em outras personagens. No caso do Hugo, o meu carinho por ele é ainda maior, porque há uma reviravolta na sua personalidade e ele acaba por mostrar vulnerabilidades que nos levam a perdoá-lo um bocadinho. 


8. Houve alguma passagem que achaste que era melhor não colocar por medo de chocares o leitor? 
Não. Não penso nisso quando estou a escrever, nem nas cenas de agressão, nem nas de sexo. Se me pedissem para as citar em público, provavelmente não o faria, mas um livro é mais do que essas passagens fortes, é composto por tudo o resto e elas são necessárias.


9. São vários os locais do Algarve e do Porto que referes ao longo do livro. São locais que te são queridos por estarem associados a boas memórias ou foram escolhidos de forma aleatória?
Sim, sem dúvida que me são queridos. O Algarve porque é a região onde vivo, o Porto porque é a cidade onde a minha mãe nasceu e onde a minha família viveu durante muitos anos. Ainda tenho lá família.


10. O que podemos esperar nos próximos tempos em termos literários?
Estou a trabalhar muito para poder mostrar aos leitores o meu primeiro romance policial, «O Escultor». No entanto, só irá para a rua quando eu achar que está no ponto. Ainda precisa de muito trabalho e não há pressas. O momento certo chegará.


11. Pensando no teu futuro enquanto escritora, quais são os teus maiores sonhos?
Os de qualquer autor que expõe o seu trabalho, acho. Primeiro: ser lida, ser muito lida, porque uma obra pode ser boa, mas se não for conhecida, ninguém saberá da sua existência. Segundo: que os leitores continuem a gostar daquilo que lhes dou, porque a leitura é um mundo de sonhos e o meu maior desejo é fazer sonhar quem está do outro lado e passar bons momentos dentro de uma história. Penso que estes meus sonhos se reflectem nos meus leitores, mas para os conseguir, precisava de uma maior projecção no meu trabalho. Gostava muito de conseguir publicar o meu próximo livro em papel, não porque não seja lida em e-book, mas porque ainda sou da geração do papel e gosto de ver os meus livros na estante e poder folheá-los de vez em quando. Gosto de saber que existem como algo palpável e que posso oferecê-los às pessoas especiais. Penso que este seria o meu maior sonho neste universo.



Obrigada Carina pelas tuas palavras e pela tua disponibilidade.
Foi um gosto e cá estamos para ler as tuas palavras, por isso só queremos que continues a dar azo à tua devoção à escrita.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Palavras Memoráveis


Livro: A pirata
Hugo N. Gerstl

Diz-se que, quando duas pessoas partilham um segredo, este só se mantém secreto até ser revelado a uma outra pessoa. Uma vez partilhado, ganha asas e espalha-se tão depressa quanto uma lenda. 


Faz parte da natureza humana querer revelar certas coisas, em especial quando têm a ver com o amor.


Diz-se que, quando olhamos para trás através do túnel dos anos, épocas há que sobressaem para sempre.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Opinião | A Sombra de um Passado


A Sombra de um Passado



Autora: Carina Rosa
Ano: 2014
Número de páginas: 312 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Sinopse: Aqui





Opinião
Apesar deste livro ter sido o terceiro livro publicado pela Carina, foi o primeiro livro que li da autora. Foi uma experiência como leitora-beta que me trouxe coisas muito boas. E da qual poderia dizer tanto e ao mesmo tempo não conseguir transmitir nada. Porque há coisas que não se explicam, sentem-se apenas...

Já li o livro várias vezes, porém quis ler novamente antes de deixar a minha opinião formal aqui no blog e no goodreads.
Antes de chegar à publicação, o livro passou por algumas mudanças, mas desde a primeira leitura que me deixei encantar pela história de Clara, Hugo e Santiago. Cada um deles apresenta uma personalidade muito distinta, mas credível aos olhos do leitor. Nenhum deles é o bom, ou o mau da fita, porque cada um deles tem os seus momentos, sejam eles melhores ou piores aos olhos de quem os passa a conhecer através do livro. Porque é que eu gostei tanto destas personagens? Porque é fácil olharmos para o mundo real e cruzarmo-nos com elas. 

Este livro apresenta-nos a história de Clara, uma jovem que vive com o seu coração apertado por um passado mal resolvido. Hugo faz parte desse passado! Um homem a quem ela deu tudo o que tinha e de quem sempre esperou aquilo que ele não lhe soube dar. Considero Hugo um personagem intrigante e que, apesar de tudo o que ele vai fazendo não me provocou sentimentos maus, ou qualquer tipo de ódio. É apenas alguém a quem a vida não correu bem e que foi tentando (sobre)viver ao mundo que lhe apontava o dedo, ao mundo que ele própria não compreendia, porque a única pessoa que o poderia ajudar a compreender era Clara, mas a quem ele tinha medo de mostrar o sentimentos... Ou talvez não os soubesse mesmo demonstrar. 

Clara conseguiu provocar-me sentimentos mistos. Nem sempre gostei dela, mas nunca a cheguei a odiar. Tentei compreendê-la à luz daquilo pelo qual tinha passado. Os momentos em que me deixava mais irritada eram quando se mostrava algo exigente e insensível para com o marido, que sempre fez tudo por ela. É certo que Santiago pode ser apelidado de "nice boy", um tipo de homem que por vezes não dá desafio numa relação, mas depois de ter passado por tudo o que passou, Clara era muito ingrata para com alguém que a tratava tão bem. Mas Santiago não é bem o "nice boy" que ela pensava ter em casa. Quando precisa de ir à luta e soltar a fera que há dentro dele, não há ninguém que o pare. Até aos momentos mais decisivos o que faltou a Santiago foi autoconfiança e assertividade. Não conseguiu demonstrar muito bem a sua posição perante Clara. Ele sempre respondia às exigências dela, mas ele nunca exigia muito. 

Relativamente à escrita da Carina, convenhamos que já não é novidade para mim. Nota-se uma boa evolução ao longo dos livros. E esta evolução é também papável ao nível da construção da narrativa e das personagens. 
Neste livro a Carina continua a usar bastante as analepses, as conversas interiores das personagens e os pensamentos das personagens. Para quem não é fã, isto pode aborrecer um pouco a leitura. Eu não desgosto e percebo a intenção dela. E no fundo é um pouco a aproximação ao mundo real. Eu pelo menos passo muito tempo a conversar comigo própria e a esmiuçar os meus pensamentos... Acho que partilho este aspecto de personalidade com a Carina. Como ela olha para isto como algo normal do seu quotidiana acaba por o transportar para as suas histórias. 

Desde o início que fiquei apaixonada por esta leitura e por esta história, por isso recomendo a leitura todos aqueles que gostem de ler sobre o amor, o perdão, os acertos com o passado e um novo recomeço de vida. Recomendo a todos aqueles que gostam de um final doce e com um toque de romantismo enternecedor. Recomendo a todos aqueles que não desistem de dar uma oportunidade a jovens autores portugueses.

Este foi o primeiro livro lido para o desafio criado por mim e pela Marta, Português no feminino.
Para finalizar este mês, ainda será publicada uma entrevista da autora.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Top M & S | O que odiamos quando vamos às compras


Para este mês, eu e a Marta do blog I only have decidimos que queríamos dedicar este Top às compras.
Pessoalmente não gosto muito de ir às compras, mas é preciso ir porque muitas coisas não vêm ter a casa. 
Aqui fica o meu top 5.

Confusão
Muita gente na mesma loja/supermercado é sinal de confusão ao limite. Pessoas a "atropelarem-se" com os carrinhos, pessoas que param no meio dos corredores para falar e impedem a passagem. Isto dá-me volta aos nervos.

Quando não tem o meu número nas lojas de calçado
O meu pé não é propriamente muito grande, o que se traduz, algumas vezes em dificuldades em encontrar modelos que eu gosto no meu número. Aborrece-me imenso, porque me obriga a escolher outra coisa e eu sou de ideias fixas, quando vejo alguma coisa e gosto e preciso dela, fico presa e tenho dificuldade em encontrar alguma outra coisa que goste.

Embalagens abertas
Odeio quando vou ao supermercado e vejo que as pessoas decidiram abrir as embalagens. Ou para ver o que têm dentro, ou mesmo para consumirem. Acho isto uma terrível falta de respeito.

Empregadas Chatas 
Odeio quando estou numa loja de roupa/calçado e tenho a empregada sempre em cima de mim a perguntar se eu quero ajuda. Eu quando precisar de alguma coisa, falo com ela, não preciso que ela ande constantemente atrás de mim a perguntar. 

Quando ocupam o meu lugar no estacionamento
Eu não gosto muito de conduzir e estacionar, para mim, é às vezes uma grande dor de cabeça. É horrível quando encontro um parque de estacionamento vazio e alguém com mais destreza do que eu o ocupa. Fico muito zangada.  

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Retalhos de uma leitura conjunta | Questões parte 5


E mais uma leitura conjunta chegou ao fim. Tal como todas as outras foi um enorme gosto fazer isto com a Marta. 
Aqui ficam as perguntas e as respostas à última parte lida. 

1. No momento da verdade entre a Clara e o Santiago, achas que ela mereceu ouvir aquelas palavras da bocado do marido, tendo em conta o que tinha acabo de lhe acontecer.
Não sei se as merecia ou não... Talvez o Santiago devesse ter sido mais duro com ela, encostá-la mais à parede e só depois deixar que o amor que sentia pela esposa falasse por si. Mas, Santiago é um homem sensível e, independentemente de ela o merecer ou não ele iria sempre dizer-lhe aquilo e, se tivesse oportunidade, ainda lhe iria dizer mais. Também penso que todas aquelas palavras a deixaram a pensar na vida. 

2. Como avalias a defesa da Clara ao Hugo?
Avalio como normal, tendo em conta que apesar de tudo, Hugo ainda era alguém que significava alguma coisa para ela. Clara sente-se em dívida para com ele, apesar do muito mal que ele lhe fez. Porém sempre acreditou que ele poderia mudar, e que dentro daquela carcaça má, cheia de rancores e que desconhecia os sentimentos bons morava um coração preso que precisa de se libertar pelos próprios meios. No fundo, Clara que Hugo tivesse mais oportunidades na vida.  

3. Foi um final do teu agrado?
Sim, foi. Aquele final enche o coração de qualquer alma sonhadora e romântica. Penso que foi um final justo para todas as personagens. Nenhuma delas era perfeita, tinham as suas imperfeições e aprenderam a lidar com elas da melhor forma que lhe foi possível. Foi um final muito bonito!!

4. Para ti quais foram os momento chaves deste livro?
Para mim os momentos chave foram: o momento em que Clara foge com Hugo, aqui há uma mudança na vida da Clara que a vai ajudar a crescer; o momento em que Clara se descai com o nome Hugo num momento importante com Santiago, é aqui que as coisas entre o casal começam a aquecer no sentido de acertarem agulhas que estavam há muito desacertadas e que nem eles próprios sabiam;  o momento em que Hugo prende a Clara, este momento é importante porque provoca uma mudança mais nítida na cabeça da Clara em relação à pessoa que verdadeiramente ama; e, por fim, escolho o momento em que Santiago toma uma posição mais assertiva e revela um lado da personalidade mais intenso e cativante.  

Leitura conjunta com a Marta do blog I only have do livro A sombra de um passado de Carina Rosa.
 

Palavras Memoráveis


Livro: O Filho das Sombras
Juliet Marillier

Mas se não podíamos confiar, ficávamos sós, porque nem a amizade, nem a sociedade, nem a família, nem a aliança, podiam existir sem confiança. Sem ela ficávamos dispersos, à  mercê dos quatro ventos, sem nada a que nos agarrarmos.


Ali podia olhar para as chamas e sonhar, porque há alturas em que os sonhos são mais seguros do que a vida real.

Eu sei os perigos que corro. Estou armada contra eles. E a minha arma é o amor, pai. Não procuro fazer com que estas feridas desapareçam, como se nunca tivessem existido. Sei muito bem que ele há-de, sempre, transportar as cicatrizes. Não posso fazer com que o seu caminho passe a ser amplo e direito. Há-de haver sempre curvas, e lombas, e dificuldades. Mas posso segurar-lhe na mão e caminhar a seu lado.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Opinião | Crónica de Paixões e Caprichos (Bridgertons #1)


Crónica de Paixões e Caprichos  (Bridgertons, #1)




Autora: Julia Quinn
Ano: 2012
Número de páginas: 368 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Sinopse: Aqui




Opinião
Antes de mais fica aqui um agradecimento à Marta do blog I only have porque, muito gentilmente me emprestou o livro. 

Nunca tinha lido nada da autora e, o engraçado, é que nunca acalentei um desejo estrondoso de ler os livros dela, e em particular desta série. Ia vendo opiniões positivas e muito boas, mas fui colocando para depois a hipótese de pegar num livro e ler. Bem, é uma ideia um pouco estúpida porque nem imaginava as coisas boas que estava a perder.

Adorei o livro!! A escrita da autora é extremamente cativante. Tem um sentido de humor fantástico que me arrancou vários sorrisos. Tem diálogos muito queridos que derretem o coração... Ofereceu-me momentos tão bons que até me faltam as palavras para o descrever. Só tenho pena de ele ter acabado tão depressa. Não me controlei, e embarquei numa leitura compulsiva e não fez com que o livro rendesse mais um pouco. Maldito, este meu vício.

Grande parte dos momentos hilariantes ficaram a cargo dos irmãos da família Bridgertons. Estes irmãos têm tanto de amoroso como de cómico. E a mãe é dotada de uma inteligência e sentido de humor que consegue manipular os filhos de uma forma impressionante. 

Apesar de todos os elementos da família aparecerem, o grande destaque do livro é a Daphne, a filha mais velha. Daphne é uma jovem diferente, despachada, prática e dotada de um sentido de humor brilhante, ao mesmo tempo que mostra a sua inteligência e sensibilidade.

Simon Basset é o duque que chega a Londres para abalar o coração das jovens casadoiras e das mães desesperadas por as casar. Simon é um homem com alguns fantasmas. Uma personagem muito bem construída que não deixa os leitores amantes deste género de livros indiferentes.
A autora conseguiu dar-lhe uma forma muito credível. Deu-lhe coragem e inteligência para ultrapassar e esconder as suas fragilidades e imperfeições. E apesar de, por vezes, se mostrar um pouco duro no que respeita aos sentimentos, lá no fundo é um homem apaixonado e com o coração cheio. Apenas tem os sentimentos mais positivos um pouco adormecidos.

Foi um bom início da série! Fiquei com imensa vontade de ler os restantes volumes. Para mim, este livro é daqueles que apetece visitar de vez enquanto.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Retalhos de uma leitura conjunta | Questões parte 4


1. O que achas das conversas imaginárias que as personagens têm em momentos críticos?
Na minha opinião, estas conversas imaginárias ajudam a clarificar o pensamento das personagens e possibilitam-nos a nós leitores conhecer um bocadinho mais sobre o mundo interior das mesmas. Considero que, por vezes, a Carina exagera um bocadinho neste tipo de conversas, assim como perde algum tempo a descrever-nos os pensamentos das personagens. Não desgosto deste estilo de escrita, acho que neste livro em particular até estão bem enquadradas. Porém, acho que é uma característica da Carina que ela tem de começar a controlar um bocadinho para não deixar os leitores um pouco aborrecidos. Mas sei que ela anda a melhorar isso, e falo com conhecimento de causa.

2. Dizem muitas vezes que inconscientemente escolhemos os homens mais parecidos como os nossos pais. Achas que foi o que se passou com a Clara?
Talvez! Não posso afirmá-lo com certezas, mas acho que é uma possibilidade. E para Clara, Hugo constituía o mesmo desafio que o pai. Se por um lado ela tinha consciência que com 16 anos não conseguiria fazer nada contra o pai, com Hugo pensava que dando-lhe o seu amor e o seu corpo o poderia transformar numa pessoa melhor. E em todos os anos em que ela esteve com Hugo, o seu grande objectivo era fazê-lo mudar por ela e para ela. Mas as mudanças nas pessoas não acontecem desta forma, e ela apanhou com valentes "baldes de água fria" que a ajudaram a aprender algumas coisas, mas não a esquecer Hugo. Conscientemente, ela acredita que por debaixo daquela capa de mau, Hugo poderia guardar alguma coisa boa.

3. A Tatiana diz que a Clara e o Santiago são dois estranhos a viver na mesma casa, partilhas da mesma opinião?
Sim, acho que a Tatiana tem um pouco de razão. Clara nunca conseguiu entregar-se totalmente a Santiago. Nunca lhe revelou uma parte da sua alma, parte essa que continuava agarrada a um passado. Por outro lado, Santiago sempre se mostrou como um "nice boy", fazendo-lhe as vontades e transformando tudo à sua volta numa bola de sabão colorida e cheia de amor e alegria que tornava a vida daquele casal num mundo cor-de-rosa. Porém, Santiago nunca conheceu o lado negro da Clara e de um passado duro e que deixou marcas. E Clara nunca conheceu um Santiago capaz de ir à luta por ela, nunca lhe ouviu o tom mais áspero e a pequena brutalidade que permanecia adormecida dentro dele. Por isso, acho que esta visita do passado vai ajudá-los a conhecerem-se e construir um mundo mais realista e não num mundo cor-de-rosa cheio de silêncios e segredos marcantes. 

Leitura conjunta com a Marta do blog I only have do livro A sombra de um passado de Carina Rosa.
 

Opinião | Grita por mim (Daniel Vartanian #2, Romantic Suspense #8)


Grita Por Mim (Romantic Suspense #8)



Autora: Karen Rose
Ano: 2010
Número de páginas: 476 páginas
Classificação: 4 Estrelas
Sinopse: Aqui




Opinião
Eu sou uma fã incondicional dos livros de Karen Rose. É daqueles tipos de leitura que apetece sempre ler.
São livros carregados de mistério, suspense e romance. 
Este livro em particular é uma continuação, porém é fácil de perceber, mesmo sem ter lido o anterior.

Aqui assistimos a uma repetição do modus operandi de um crime que aconteceu há alguns anos atrás. E assim, as vidas de Daniel e Alex se cruzam. 

Daniel é o investigador responsável pelo caso. Um homem intenso, que não me deixou indiferente. Mais uma vez, Karen consegue conjugar o profissionalismos com partes mais humanas, e isto torna o Daniel um homem apaixonante. 

Relativamente a Alex, esta é uma mulher com  um passado emocionalmente muito denso. Enquanto leitora fiquei fascinada com a carga psicológica que a autora deu à Alex, assim como a forma como a desenvolveu. Neste livro foi abordado o tema da hipnose como forma terapêutica e aqui chamaram a atenção para as potencialidades da hipnose, ao mesmo tempo que não deixaram de lado as limitações quando recorremos à regressão.

 O romance entre Alex e Daniel foi bem conseguido por parte da autora. Intensidade emocional, cenas escaldantes e muito sentimento em cada diálogo trocado, em cada cruzar de olhares...

Apesar de ter adorado o livro, houve partes no final que me deixaram confusa. O mistério associado ao crime era bastante complexo e envolvia muitas personagens. Por esta razão, precisava de um final um pouco mais detalhado e esclarecedor. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Retalhos de uma leitura conjunta | Desafio 4


Desafio 4
De Marta para Silvana: As personagens precisam de um rosto, qual lhe atribuis?

Este será o último desafio da nossa leitura conjunta e desta vez decidimos fazer algo diferente. A Marta deixou um desafio para mim e eu deixei um desafio para a Marta. 
A Marta desafio-me a dar uma cara às personagens.

Aqui ficam as minhas escolhas:

Hugo - Blair Underwood

Clara - Leandra Leal

Santiago - Diogo Morgado

Carolina - Priscilla Delgado
(Eu sei que a Carolina fisicamente não é bem assim, mas estava a ser muito complicado arranjar outra actriz... A forma como Priscilla representa na série Os protegidos lembra-me a Carolina).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Retalhos de uma leitura conjunta | Questões parte 3


1. Achas que Clara ainda tem sentimentos pelo Hugo? Como vês a reacção dela a ele?
Depende a que tipo de sentimentos te referes. Se me disseres românticos, eu acho que não. Mas se me disseres que ela ainda alimenta algum tipo de carinho, isso penso que sim. Hugo representou para ela um marco na sua vida e, uma das coisas que ela sempre ansiou foi conseguir mudar as atitudes e a forma de estar do Hugo. Nunca o conseguiu, mas este regresso dele é como se estes sentimentos passados se reacendessem. Por isso, eu interpreto esta reacção de Clara a Hugo como um um reacender do carinho e da amizade que desenvolveu por ele. E lá a eterna esperança de que ele mude.

2. Depois dos pequenos vislumbres do início e continuação da relação da Clara com o Santiago, que desenvolvimentos mudarias para que aquela relação não tivesse tantos momentos precipitados para um e para outro fosse algo completamente normal.
Uma pergunta difícil, esta. Eu poderia aqui referir que tudo seria mais fácil se a Clara tivesse conversado com Santiago acerca do seu passado. Mas perguntar-me-ia sempre: será que ela estava preparada para falar deste passado? Eu acho que não, porque lá no fundo ela sabia que era algo que iria abalar a relação dos dois. Acho que o facto de haver mais momentos precipitados se deve mais ao Santiago que sempre foi forçando a relação. Ele queria sempre mais de uma Clara insatisfeita e cheia de dúvidas. Quanto à Clara, esta foi-se deixando conduzir pelas coisas boas que esta relação lhe foi oferecendo, mas nunca acreditando muito no lado mais romântico e próximo que ele devia assumir.

3. Estavas à espera que o Hugo fizesse o que fez? Ou pensavas que ele se tinha redimido?
Eu dou sempre o benefício da dúvida às pessoas. É possível mudar! Porém, tendo em consideração que os últimos 10 anos de vida de Hugo foram passados na prisão e acalentando esperanças em relação à Clara, nunca acreditei que ele tivesse mudado verdadeiramente. Acho que ele precisa de algo mais forte que o faça redimir-se.

Leitura conjunta com a Marta do blog I only have do livro A sombra de um passado de Carina Rosa.
 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Retalhos de uma leitura conjunta | Desafio 3


Desafio 3
As personagens estão a precisar de ir ao cinema. Que filme as levavas a ver?

Clara
Eu levava a Clara a ver o filme O véu pintado. Neste filme, a personagem feminina aprende a gostar do marido depois do casamento. Acho que Clara iria gostar dela porque poderia identificar-se, em parte, com ela no sentido em que começa a dar mais valor ao marido depois de determinados acontecimentos.

Santiago
O Santiago está a precisar de descontrair. Por isso levava-o a ver Marley e eu. Para além de puder rir com as aventuras do cão, poderia ganhar forças para lutar pela sua família depois de assistir à família deste filme.

Hugo 
Por mim levava o Hugo a ver o Shrek só para ele ver que toda as pessoas têm direito ao seu final feliz. E que a felicidade também depende um pouco daquilo que somos capazes de fazer.


Leitura conjunta com a Marta do blog I only have do livro A sombra de um passado de Carina Rosa.

Palavras Memoráveis


Livro: Uma luz na Escuridão
Catherine Anderson

A capacidade de confiar nos outros é uma coisa tão frágil e estilhaçava-se com tanta facilidade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Opinião | A culpa é das estrelas


A Culpa é das Estrelas





Autor:
John Green
Ano: 2012
Número de páginas: 255 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Sinopse: Aqui




Opinião
Andava com imensa vontade de ler este livro. E esta vontade crescia sempre que me cruzava com uma opinião na blogoesfera ou no Goodreads. Infelizmente, a minha experiência com o livro está muito longe das opiniões tão positivas com que me fui cruzando. 

Foram vários os aspectos que me deixaram um sabor amargo no fim da leitura. Não ri, não chorei, não me emocionei, nem sequer consegui sentir empatia pelas personagens. Quem estiver a ler esta minha opinião e adorou o livro, poderá pensar que sou insensível, mas muito pelo contrário. Quando um livro está bem escrito e bem encadeado, com personagens fortes e bem construídas eu consigo sentir aquilo como se fosse real, e isso toca as minhas emoções. Porém, com este livro eu não consegui encontrar nada que me fizesse ficar presa à história e às personagens. 
Não considero que John Green tenha uma escrita fantástica. Para mim, é mediana, com diálogos mais ou menos bem construídos e com pouca emotividade (algo que considero importante quando o tema é algo tão sensível como o cancro). Não estou a falar em termos de dramatismo! O que me quero referir é que falta sensibilidade ao autor na forma como "desenhou" toda a história. 

Hanzel e Gus estão longe de alcançarem o patamar das minhas personagens preferidas e consequentemente de casal literário preferido. Gostei mais da Hanzel do que do Gus. Acho que tudo entre eles foi repentino, com pouca intensidade emocional e deu-me a sensação que ambos andavam perdidos no mundo dos sentimentos, Não achei que Gus fosse romântico ou sequer atencioso ou carinhoso com Hanzel. Na minha opinião, o autor não soube passar esses sentimentos e deixou-me com a sensação que Gus só fazia o que fazia por Hanzel porque lhe parecia o mais correto, ou porque tinham cancro.

Há outro elemento no livro que para mim é pura e simplesmente uma forma de encher páginas. Refiro-me ao escritor holandês, que é completamente avariado daquela cabeça, e que não acrescentou nada de especial ao livro. Apenas no final, em que o passado dele foi um pouco explorado é que trouxe algum interesse, de resto é um elemento que apenas serve para encher páginas- 

O autor faz uma tentativa, a meu ver falhada, de abordar questões filosóficas relacionadas com a vida e a morte. São reflexões algo vazias de significado e com pensamentos pouco profundos.O autor ficou.se pela ligeireza em questões que são muito densas e apelam a uma reflexão mais cuidada. Em conversa com a Catarina R. do blog e canal Sonhar de olhos abertos, em que partilhávamos a nossa experiência com este autor, a Catarina fez um comentário acertado. O autor procura utilizar a intelectualidade de forma cool mas o resultado é desastroso.

E isto conduz-me à forma como o autor abordou a questão "cancro" ao longo do livro. Gostei da forma mais crua que foi prevalecendo em Hanzel e Gus acerca da sua experiência enquanto doentes oncológicos, porém a forma como abordou o impacto deste problema em relação aos aspectos pessoais, familiares e comunitários foi pouco pormenorizado e não destacou a importância de todos estes aspectos nesta luta.
Um aspecto que me deixou um pouco desiludida foi o facto de o autor não abordar mais as questões relacionadas com as actividades experimentais com o medicamento. Penso que daria momentos mais interessantes do que o escritor holandês. Foi tão mal aproveitado que até pode passar despercebido a quem não faz uma leitura mais atenta. 

Sei que a grande parte das pessoas ficou muito encantada com o livro. Não sei se caso eu tivesse lido este livro uns anos antes, com menos idade, conseguisse olhar de forma apaixonada para o livro. Mas isso, já não posso descobrir. Caso partilhem, ou não, da minha opinião façam o favor de comentar.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Retalhos de uma leitura conjunta | Questões parte 2



1. O que achas da atitude da Clara ao declarar que nada é para sempre quando uma das bases do casamento é essa?
Ela tem medo do compromisso e de não o conseguir levar até ao fim. Ela queria um compromisso com Hugo e ele nunca foi capaz do lho oferecer. Isto fragilizou a confiança dela e só lhe deixou muito sofrimento. Assim, Clara ganhou aversão aos compromissos, acreditando que nem tudo é para sempre. Quando menos esperamos, o destino ganha força e dá uma volta a tudo aquilo que temos como certo.
 
2. No presente é nos dado a entender que a Clara é uma pessoa forte e nada dada a sentimentalismo, por isso como vês a falta de frontalidade para com o marido?
Medo. Ela sente medo de perder tudo aquilo que ela foi construindo. Ela sabe que a relação está construída sobre uma base algo movediça que é o passado da Clara. Penso que ela está adorar este novo presente com Santiago, mas como tem consciência de há algo no passado dela que pode colocar em causa toda a sua família. Por isso, ele prefere guardar o seu passado. 

3. Para ti, até este momento, o Santiago teve alguma vez a certeza do amor da Clara?
Eu acho que não. O amor deles ainda não foi posto à prova. E assim, Santiago vai dando calor e forma a este amor. É ele que alimenta a relação, enquanto para Clara é todo um mundo novo que ela gosta, mas não sabe se pode confiar. Mas há-de chegar o dia em que estes dois vão acertar o seu amor no relógio do tempo.

Leitura conjunta com a Marta do blog I only have do livro A sombra de um passado de Carina Rosa.