sexta-feira, 31 de julho de 2015

Opinião | A Sombra do Vento (O cemitério dos livros esquecidos #1)


A Sombra do Vento (O Cemitério dos Livros Esquecidos #1)



Autor: Carlos Ruiz Zafón
Ano: 2004
Número de páginas: 507 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Sinopse: Aqui


Opinião
Há livros para os quais me é difícil arranjar as palavras certas para os descrever. É difícil porque os sentimentos que me provocam não são facilmente demonstrados por palavras. A Sombra do Vento é um desses livros. Aquilo que senti ao lê-lo tornou-se de tal forma avassaladora que tenho dificuldade em encontrar as palavras que sejam capazes de fazer justiça à grandiosidade da história que foi criada.

O encantamento com este livro não foi imediato. Tivemos um início de relação complicado. Para mim, foi difícil afeiçoar-me às personagens, foi complicado entrar na história e senti-la, tive dificuldade em compreender o mundo criado pelo escritor ao ponto de comprometer o meu sentimento de envolvência com o mistério que ia nascendo no início do livro. Hoje, olhando para trás na leitura, sinto-me muito triste por não ter conseguido captar na totalidade aquilo que se passou nas primeiras páginas. O facto de andar com pouco tempo e pouca disposição para as leituras fez com que prolongasse a leitura do livro. Porém, este livro carece de uma leitura inicial mais ritmada, constante e prolongada para perceber toda a dinâmica que envolvia os acontecimentos. (Andava tão cansada na altura da leitura que lia duas páginas e os olhos já queriam fechar).

Antes de me debruçar sobre a beleza das histórias que compões estas páginas, quero destacar a beleza da conjugação de palavras que o autor no oferece. Carlos Ruiz Zafón é um verdadeiro maestro na construção de frases. Ele articula as palavras num tom melodioso que me fazia reler passagens apenas pela conjugação de palavras usadas para fazer descrições e construir diálogos. Adorei a escrita do escritor, ao mesmo tempo fez-me sentir incompetente no uso das palavras e da linguagem.

No que toca ao enredo que faz parte deste livro, temos uma conjugação de momentos passados e presentes. Duas histórias distintas que se tocam no presente.
No presente temos o jovem Daniel que é enfeitiçado pelas obras do autor Julián Carax que descobriu no cemitério dos livros esquecidos, Foi com base nestas leituras que Daniel partiu à descoberta das raízes do escritor. Esta ânsia leva-nos ao passado e à história de Julián.
Em ambas as histórias houve aspetos que me tocaram. Na de Daniel, o que me tocou foi o assistir ao seu crescimento e ao ser poder de auto-análise. Ele conhecia-se muito bem e sentia-se triste perante algumas das suas particularidades, principalmente a sua falta de coragem. Daniel é sensível, um "amante" dos livros e das palavras e que muito facilmente se deixava envolver pelas pessoas. Felizmente teve a sorte de se cruzar com pessoas que o compreendiam e aqui destaco a brilhante personagem de Fermín. Eu sou muito sensível às amizades e seu que, aqui, entre eles, formou-se um amizade com amarras tão fortes que nada as conseguia quebrar.
A única coisa que me deixou mais insatisfeita foi o não ter visto maus interação entre Bea e Daniel. A relação deles tornou-se tão bonita que eu queria ver mais.
Também fiquei triste com a atitude de Tomás, irmão de Bea e amigo de infância de Daniel. Não consegui compreender na totalidade os sentimentos negativos que alimentou por Daniel e que não lhe permitiram restabelecer a amizade no futuro que o livro nos apresenta por breves momentos.
E depois temos a história de Julián Carax, e que história!!! Ao longo da leitura, o mistério foi-me alimentando a curiosidade e era ela que me fazia continuar com a leitura. Julián é o amigo do drama e da tragédia e vive de um amor interrompido. É esse o amor que o alimenta e que o motiva para a escrita. Não vou esquecer a amizade entre ele e Miquel. Quando no livro chego à parte em que Miquel mostra até onde pode levar a sua amizade, parei! Parei para assimilar a sua atitude e a sua grandiosidade. Como diz Fermín no final do livro são pessoas como esta [de bom coração] que fazem deste mundo cão um sítio que vale a pena viver.

Haveria tantas mais coisas para dizer acerca do livro, mas tudo parece insignificante.  Foram muitas as personagens com forte carácter e com relevância que desfilaram ao longo destas páginas. Fumero, Núria, o pai de Daniel, a família Aldaya, o pai de Núria, Palácios... Tantas e tão importantes que tornam o livro uma viagem inesquecível ao mundo das palavras.

Um livro brilhante e que um dia conto reler com mais dedicação e atenção. 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Palavras Memoráveis


Livro: Noivas de Guerra
Anthony Capella

O amor não é apenas qualquer coisa que sentimos. O amor é uma coisa em que nos tornamos. É como... visitar um país novo e compreender que, no fundo, nunca gostámos especialmente do lugar que deixámos para trás.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Opinião | Prisão de Gelo


Prisão de gelo

Autora: Ana Ferreira
Ano: 2015
Número de páginas: 18 páginas (ebook)
Classificação: 2 Estrelas
Sinopse: Aqui

Opinião
O tempo por estes lados é escasso, por isso para o desafio Português no Feminino deste mês decidi voltar aos contos.
Desta vez escolhi ler um conto cuja capa me saltou à vista assim que me cruzei com ela no Goodreads. 

Prisão de Gelo é um conto pequeno, de rápida leitura e com um conteúdo bastante denso que apela À reflexão do leitor. Por mero acaso, o livro aborda uma temática recentemente discutida numa das aulas de doutoramento, ou seja, a forma como a sociedade encara a diferenças, a homossexualidade e as questões de igualdade de género. 
Até à versão de 1980 da DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais), a homossexualidade era considerada uma distúrbio mental. Por esta razão, acho que o conto é muito propositado e gostei bastante da forma como a questão do preconceito foi abordado. 

Foi um conto que eu gostei de ler. Gostei da Berta e da forma como ela se expôs em palavras.
Eu consigo olhar para este conto como uma metáfora da actualidade. Apesar da homossexualidade já fazer parte do quotidiano português, muita gente, principalmente nos meios mais pequenos, ainda é alvo de muito preconceito. E nestes locais, onde o preconceito está muito enraizados, aqueles que são homossexuais vivem na sua própria prisão de gelo em que muitas vezes têm de lá guardar o seu amor para poderem experimentar um pouco de liberdade. Uma liberdade artificial porque muitos deles têm de ficar aprisionados. 

O conto conseguiu transmitir os sentimentos de Berta e mostrou de forma muito clara o que é ser diferente num mundo onde se consideram iguais. Mostrou também de que formas podem atentar à nossa liberdade, que não é só por nos fecharem num lugar.

Recomendo a leitura para quem gosto de pensar sobre estas questões e para quem gosta de ler contos. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Opinião | Infância Perdida


Infância Perdida

Autora: Cathy Glass
Ano: 2008
Número de páginas: 244 páginas
Classificação: 5 Estrelas
Editora: Editorial Presença
Sinopse: Aqui



Opinião
Infância Perdida é daquelas histórias que, sem querermos, se enraízam no nosso pensamento e nos deixam dias a pensar sobre ela. 
Pelo seu conteúdo emocional, não é um livro fácil de ler. Confesso que a repulsa e o nojo foram aumentando gradualmente. Quando pensava que as coisas não podiam ser piores, chegava uma nova revelação que me fazia parar a leitura para assimilar tudo aquilo que ia acontecendo.

Cathy Glass é uma mãe de acolhimento que recebe em sua casa crianças que são retiradas à família por diversas razões. As crianças ficam com ela até a família reunir condições para as voltar a acolher ou quando os serviços judiciais decretam outro tipo de medidas, como a adopção, por exemplo.
Neste livro, Cathy relata-nos os momentos em que viveu com Jodie, uma menina de 7 anos com uma história de vida ainda bastante desconhecida aos olhos das várias famílias por onde passou e onde permanecia por pouco tempo. Cathy percebeu o desafio que lhe estava para chegar às mães, mas agarrou-o com uma mestria e determinação muitas vezes superior à de um profissional.

Jodie apresentou-se como uma criança bastante perturbada. Logo de início, e por aquilo que ia sendo descrito, eu coloquei a hipótese de uma perturbação da personalidade, mas estava muito longe de imaginar os contornos por detrás desta perturbação. 
Foi duro ler sobre aquilo que Jodie foi obrigada a viver. Foi duro ver que, por pouco, aqueles que tanto mal lhe fizeram iam ficar impunes. Mesmo assim, a justiça não foi totalmente feita.
Infelizmente a realidade de Jodie não é a única. São várias as crianças que não conhecem os contornos de uma infância feliz e saudável. Estas histórias enchem-me sempre de tristeza, fazem-me sentir impotente. Eu sei que não podemos querer salvar o mundo. Não está nas nossas mãos conseguir combater tudo aquilo que de mau há no mundo, mas crianças na situação de Jodie mereciam ser salvas o mais rapidamente possível. 

Neste livro, Cathy Glass também nos traz a realidade da má prática profissional. Um(a) assistente social tem, por vezes, um volume de trabalho enorme, mas isso não pode justificar o facto de se desligarem dos casos. A assistente social que tomava conta de Jodie cometeu erros muito grandes e que não podem ser justificados pelo excesso de trabalho. Ela estava completamente desligada da Jodie e em nenhum momento se preocupou em tentar estabelecer uma relação com a criança. Mas, tal como há maus profissionais, há também aqueles que são capazes de atender às necessidades destas crianças e proporcionar-lhes formas de diminuir o sofrimento. Na história de Jodie destaco o papel da assistente social Jill, que apesar do caso não ser da responsabilidade dela, sempre se preocupou com a criança e também o papel da psicóloga que se preocupou genuinamente com a criança e procurou um espaço adequado para o futuro de Jodie. 

sábado, 25 de julho de 2015

TAG | Amo /Odeio

A querida Isaura do blog Jardim de Mil Histórias já me taggueou há séculos para responder a esta TAG. Infelizmente, o tempo tem sido escasso e fui adiando a resposta à TAG.
Obrigada Isaura e desculpa a demora.

As regras da Tag são:
1. Mencionar 10 coisas que amamos e 10 coisas que odiamos;
2. Indicar 10 blogs para responder à Tag;
3. Clocar a imagem da Tag no post;
4.Colocar o link de quem nos indicou.

10 coisas que amo
  1. Ler
  2. Cozinhar
  3. Passear
  4. Dormir
  5. Ver filmes
  6. Fazer ponto-cruz
  7. Surpresas
  8. As minhas amizades
  9. Música
  10. Frio
10 coisas que odeio
  1. Egoísmo
  2. Conduzir
  3. Ser enganada
  4. Injustiças
  5. Marisco
  6. Ingratidão
  7. Desorganização
  8. Sujidade
  9. Pessoas mal-educadas
  10. Dentistas

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Julho | Português no Feminino


Já desde Abril que não publico o que é que pretendo ler para este desafio. Contudo, não parei e tenho conseguido ler uma autora portuguesa por mês. Ultimamente têm sido contos porque ando com pouco tempo disponível para me aventurar por obras mais extensas. 

Para Julho será também um conto. Desta vez o conto será Cinzas e Neve da autora Célia Correia Loureiro. 
Cinzas e Neve

Oficialmente é a minha estreia com a autora, uma vez que o único livro que li até agora foi como leitora beta.
Assim, a opinião a este conto será a primeira opinião a obras da escritora aqui no meu blog.

Alguém me acompanha na leitura?

Palavras Memoráveis


Livro: Sob o olhar do amor
Janine Boissard

Não havia instrumento mais perfeito, mais comovente do que duas cordas vocais em contacto directo com a alma. 

Opinião | A pousada no fim do rio


A Pousada no Fim do Rio

Autora: Nora Roberts
Ano: 2010
Número de páginas: 384 páginas
Classificação: 3 Estrelas
Editora: Saída de Emergência
Sinopse: Aqui

Opinião
Eu gosto muito de ler Nora Roberts. Ela consegue entrelaçar um conjunto de ingredientes que têm a capacidade de me fazer apaixonar pelos seus livros. Romance, mistério, suspence... Pequenos apontamentos de humor e boa disposição nas personagens. 
Apesar deste livro reunir todos estes ingredientes, a forma como a história foi conduzida não me convenceu. Não me senti muito conectada à história, ao local onde tudo se passou, nem sequer às personagens.

Olivia e Noah são o casal protagonista deste livro. Houve momentos de interacção entre eles que gostei muito. Contudo, outros tantos me pareceram artificiais, precipitados e muito apressados. No fundo, a paixão que nasceu entres os dois na idade adulta é demasiado instantânea. É certo que há um conjunto de situações passadas que estimulam o nascimento do amor entre os dois. Porém, quando se encontram numa fase já adulta as coisas acontecem quase instantaneamente. Não considero que o desenvolvimento de Olivia ao longo dos anos fosse congruente com tudo o que a personalidade e as crenças dela envolviam.  Eu sei que não temos muita informação relativa a seis anos da sua vida, e isso seria importante para percebermos a Olivia do presente. Há também umas particularidades no romance destes dois que, para mim, também não fizeram muito sentido e que acabou por dificultar a minha empatia com a história.
Acho que também houve um exagerado número de descrições sobre a natureza. Por vezes, apeteceu-me saltar essas descrições à frente porque já me estavam a aborrecer.

O final é o típico dos livros de Nora Roberts: revelador e apressado. Revelador no sentido em que  os dá o desfecho de todo o mistério que vai pautando o livro. Pessoalmente, não gostei destas revelações, apesar de considerar parte delas algo possível de acontecer [Início Spoiler] condenação de uma pessoa inocente [Fim Spoiler], uma outra parte achei irreal [Início Spoiler] o  verdadeiro criminoso não revelar nada da sua verdadeira natureza ao longo de vinte anos [Fim Spoiler]. Tal como muitos outros livros que já li da autora, no final tudo acontece demasiado depressa, sem tempo para apresentar os factos de forma mais ponderada e emocionante. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Top Ten Tuesday | 10 livros que celebrem a diversidade

Esta semana o Top Ten pede-nos para eleger 10 livros que celebrem a diversidade. Assim, teremos que indicar livros que abordem questões de minorias sociais e étnicas, grupos minoritários/maioritários. 

Aqui fica a minha lista:

  1. As Serviçais de Kathryn Stockett
  2. Prisão de Gelo de Ana Ferreira
  3. A sombra de um passado de Carina Rosa
  4. Observações de Jane Harris
  5. O pacto de Jodi Picoult
  6. Amor à primeira vista de Catherine Anderson
  7. A prisão do Silêncio de Torey Hayden
  8. Casada à força de Sameem Ali
  9. Onze minutos de Paulo Coelho
  10. Nómada de  Stephenie Meyer
As ServiçaisPrisão de geloA Sombra de um PassadoObservaçõesO PactoAmor à Primeira Vista (Kendrick/Coulter/Harrigan, #2)A Prisão do Silêncio [Murphy's Boy]Casada à ForçaOnze Minutos Nómada

Opinião | Escrito nas Estrelas


Escrito nas Estrelas




Autora: Bárbara Norton de Matos
Ano: 2010
Número de páginas: 248
Classificação: 1 Estrelas
Sinopse: Aqui






Opinião
"Fútil" é a primeira palavra que me vem à cabeça para descrever este livro. É tão básico, cliché e insignificante que me pergunto como é que é possível uma editora com chancela da Leya editá-lo. É ao ler livros como este que me sinto algo revoltada. Vejo jovens escritores portugueses a lutar com tudo aquilo que podem, carregados de talento e que possuem boas história a serem deixados para trás, a serem pouco valorizados pelas ditas grandes editoras e acima de tudo são pouco respeitados pelo público português. Porém, chega alguém conhecido da Televisão e a sua história é facilmente publicada. Eu considero isto uma grande injustiça, uma vez que os critérios para publicação parece que mudam em função da pessoa que escreve o livro, em vez de se focarem no conteúdo do
manuscrito.

Este livro apresenta algumas gralhas (palavras a mais ou a menos nas frases, "mas" que não deveriam existir), aspeto que evidência a ausência de algum cuidado no processo de revisão.
Relativamente à narrativa, também esta deixou transparecer algumas incongruências. Introdução descontextualizada de uma personagem (quando ela apareceu não fazia a mínima ideia de onde ela vinha) e falhas em termos temporais (há coisas que tendo em conta a sequência temporal da história não fazem sentido nenhum).

A personagem principal, Carminho, é das piores personagens principais com quem já me cruzei (até a Anastasia do livro As 50 sombras de Grey é bem melhor - livro do qual ainda não publiquei opinião). Uma atriz fútil e mimada que não transparece, em nada, a força que autora queria transmitir. Deu-lhe um passado sofrido, coloca-a com um patinho feio, para no presente a transformar num cisne... completamente estragado. É tudo tão superficial que não permite ao leitor identificar-se minimamente com ela bem sinta qualquer tipo de empatia. Irritou-me tanto!!!! Revirei tantas vezes os olhos com o seu comportamento... Aquilo é tão distante da minha realidade e da minha maneira de ser que chegou ao ponto de olhar para o livro da forma mais distante possível.

E aquele final?! Mas o que é que foi mesmo aquilo?? Foi das coisas mais estúpidas que já li. Não faz qualquer sentido quando olhamos para o que acontece na realidade. Este é daqueles livros que daqui a uns meses não vou ter qualquer memória do seu conteúdo!

domingo, 19 de julho de 2015

Projecto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]


E recebi mais um livrinho da Denise para o nosso desafio conjunto. Eis o eleito:

O cirurgião
Tess Gerritsen

Eu adoro policiais... Esta minha paixão deve-se à minha querida amiga J. que nos tempos de faculdade me incutiu o bichinho por este género literário. 
Já li a sinopse e estou desejosa de ter um bocadinho de tempo para me dedicar à leitura.

Obrigada Denise. 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Palavras Memoráveis


Livro: Estarás aí?
Guillaume Musso

Mas, quando se ama, não há necessidade de discursos: sabe-se, sente-se e isso basta.


Mas não existe sempre um pormenor que nos escapa na pessoa que amamos? E não é essa coisa desconhecida que faz com o que o amor perdure?

Quando uma pessoa nos entra no coração, permanece lá para sempre.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Palavras Memoráveis


A dor tem um elemento de esquecimento; não consegue recordar quando começou, ou se houve algum dia em que não existiu.
Emily Dickinson

sábado, 4 de julho de 2015

Opinião | A ilha dos desencontros


A Ilha dos Desencontros





Autora:
Anita Shreve
Ano: 2011
Número de páginas: 240
Classificação: 2 Estrelas
Sinopse: Aqui






Opinião
Este foi mais um livro que li no âmbito do projeto conjunto que tenho com a Denise do blog Quando se abre um livro. Um dos motivos pelos quais a Denise me enviou este livro era possibilitar-me fazer "as pazes" com esta autora. E, em parte, conseguiu! Consegui gostar mais deste livro que que aquele que li anteriormente.

A ilha dos desencontros apresenta-nos duas histórias em dois momentos temporais distintos. Um no passado e outro no presente. No início, a forma que a autora escolheu para integrar partes da história passada no momento presente é muito confusa. Como não deixa nenhum separação física, nem nenhuma outra indicação, quando dava por mim já estava na parte da história do passado em Jean narrava situações do crime que marcou aquelas ilhas há muitos anos atrás, e que ela estava a investigar.  

Focando-me no presente e na história de Jean e todos aqueles que faziam parte do seu círculo, tenho a dizer que em alguns aspetos a história é pouco clara. Penso que tal se deveu ao facto de a autora querer que as coisas fossem indutivas para o leitor, mas comigo não funcionou muito bem. Esta forma usada pela autora, o leitor acede a poucas informações, não nos é dado muito sobre as características e modos de vida das personagens. Fica sempre no ar um clima de dúvida e mistério, que me deixava sempre com mil e uma hipóteses na cabeça. Se houve momentos que até gostei, por outro lado existiram outros que me deixaram um pouco frustrada e desiludida. Essa desilusão foi maior com o final do livro, no desfecho da história de vida de Jean. 

Paralelamente à história de Jean, temos a história de Maren. Maren é uma mulher norueguesa que depois do casamento parte com o marido para os EUA. Tal como a parte que descrevi anteriormente, esta é também muito intuitiva, mas possuiu mais mistério. Desde cedo que desconfiei quem era o/a responsável pelas mortes das mulheres, porém os motivos são mais difíceis de identificar. Achei a Maren uma mulher estranha e com uns padrões relacionais também eles estranhos. Não simpatizei com ela, e nem sei bem o porquê. Aqui não senti tanto a falta de uma narrativa tão desenvolvida, porém, no final precisava de alguns dados que me permitissem saber como é que a Maren, o Evan e John terminaram daquela forma. 

Outro aspeto que fiquei sem entender foi qual a relação entre os dois momentos da narrativa. Era só uma questão de investigação? O que é aproxima estas duas histórias??? Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas... Fiquei sem entender.

Em conclusão, posso dizer que, em parte, fiz "as pazes" com a autora uma vez que gostei mais de ler este livro o que acabou por me deixar o sentimento de querer ler mais algum livro dela. Sentimento que não surgiu quando li o primeiro livro. 

Obrigada pelo empréstimo, Denise!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Opinião | Observações


Observações



Autora: Jane Harris
Ano: 2010
Número de páginas: 448 páginas
Classificação: 4 Estrelas
Editora: Editorial Presença
SinopseAqui




Opinião (Pode conter spoillers)
Esta leitura acompanhou durante duas semanas. Infelizmente o tempo já anda escasso desde há muitos meses, caso contrário, esta leitura teria avançado mais rapidamente devido à forma intrigante com que a história é conduzida.

O início da leitura foi um pouco estranho. Quando "conheci" a Bessy e a Arabella foi como se estivesse a ver qual das duas era a mais estranha. Pareceu-me que ambas andavam num jogo de conquista. Bessy queria conquistar e impressionar a patroa e Arabella parecia desesperada por conquistar Bessy. E, na minha percepção, ambas tinham consciência disso.

À medida que a leitura foi avançando e fiquei a conhecer melhor as personagens e as suas motivações ia ficando impressionada com a forma como as coisas estavam a ser conduzidas e ao mesmo tempo com curiosidade para saber o que estava por detrás de tanto mistério. 

Arabella é uma personagem muito peculiar. Do meu ponto de vista penso que era um mulher acima de tudo solitária e algo desiludida com o rumo que a sua vida levou. Sentia-se desenquadrada em todo aquele ambiente e precisava de algo que preenchesse a sua vida. Desta forma, olhou para a observação e investigação das empregadas como algo que lhe permitia sentir alguma utilidade.

Aquilo que Arabella fez ainda hoje é um método usado em investigação, mais no domínio das ciências sociais. Observação e a utilização de um diário de bordo é algo que ainda hoje é usado. Por isso, olho para Arabella como uma boa investigadora e dotada de um bom poder de observação. O que me fez "comichão" foi aquilo que ela fez com as empregadas para levar a cabo as suas intenções. Senti uma certa insensibilidade. Sei que estou a olhar para a situação de uma forma muito técnica, para algo que não o pretende ser, porém eu não consigo "despir" a minha "capa" de investigadora e observadora.

Quando a Bessy descobriu, compreendi o facto de ela ter ficado zangada. Demorei foi algum tempo a perceber o que a levou a gostar tanto de Arabella. É certo que ela se foi sentindo culpada pelo estado mental da patroa. Porém, para mim, foi um pouco mais do que culpa. Acho que a Bessy começou a compreender os sentimentos de Arabella, e a sentir por ela um amor especial. Acho, também, que foi o facto de Bessy conseguir ver mais além que as conduziu ao estabelecimento de uma boa amizade.

Admirei a Bessy em muitos aspetos. É uma jovem bem resistente. Consegue dar a volta perante situações muito duras e angustiantes. O seu poder de observação é, também, muito bom, assim como a sua capacidade para analisar as pessoas com quem se vai cruzando.

De facto, o livro dá-nos diferentes perspetivas da condição humana. É como se a autora, num só livro, quisesse mostrar o quão complexas são as pessoas; o quão complexo é o nosso pensamento. Estes aspetos foram muito bem conseguidos por parte da autora.

Gostei muito do final, principalmente da visão que a autora passou acerca dos locais destinados aos portadores de doença mental. Para mim, foi uma verdadeira inspiração e tive pena de não ter mais detalhes. Quem sabe eles apareçam num próximo livro da Bessy?

Palavras Memoráveis


Livro: Onde caem os anjos
Nora Roberts

Muitas coisas que alguns podem pensar ser um pouco loucas são apenas humanas.

Quando há uma coisa que tu queres, umas coisa que precisas, a vida é demasiado curta para andares com jogos.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Opiniões | Contos Hans C. Andersen

Estes contos já foram lidos no final do ano de 2014, porém tinha aqui o post guardado e nunca mais me lembrei de publicar. Mas acho que hoje ainda vem a tempo.


A Menina dos Fósforos
Este foi o meu primeiro contacto com as histórias de Hans. C. Andersen, e do qual gostei muito. 
É um conto muito pequeno (5 páginas no livro que eu e com ilustrações), passado nos últimos dias do ano e que apela a uma mensagem muito especial. De uma maneira algo diferente, penso que nos dias de hoje ainda existem muitas "meninas e meninos dos fósforos", que olham para o lado e assistem a um Natal mas aconchegante em casas que não as deles. Não me referi a aspectos materiais (apesar de estes também faltarem), e sim ao calor humano que é muitas vezes esquecido. Calor humano era o que mais procurava esta menina e que acabou por encontrar um pouco na magia que o calor de um fósforo lhe ofereceu.
Penso que é um bom conto para ler nesta altura do ano e para pensarmos naquilo que realmente importa para nós e na nossa relação com os outros.
(4 Estrelas)

O Abeto
Este foi o segundo conto que eu e a Marta lemos para o desafio. Ficou para 2º lugar, porque como a sua temática é relacionada com o Natal guardamos a leitura para que coincidisse com a véspera e o dia de Natal.

Adorei este conto!! É simples, mas na sua simplicidade consegue abraçar temas muito importantes. O abeto sempre desejou ver mais além da floresta onde vivia, sempre quis conhecer outras realidades sem antever as suas consequências. É na noite de Natal que ele vive dos momentos mais felizes da sua vida e irá recorda-lo sempre com muito carinho.

Uma das coisas mais bonitas e que eu mais gostei neste conto foi o modo como o abeto sempre olhou para a sua vida. Mesmo no momento mais difícil não deixou de pensar nas coisas boas que sempre preencheram a sua curta vida. Acho que a forma do abeto olhar para a sua vida é uma boa lição para nós seres humanos.
(4 Estrelas)

A Rainha das Neves 
Até ao momento este é o conto de Hans C. Andersen que menos gostei. Achei-o algo confuso. Esta cofusão surge nos aspectos que envolvem o desaparecimento de Key e todo o mistério que o autor constrói em torno dele.

Gostei das aventuras de Gerda. Como é um conto não dá para que as coisas sejam muito desenvolvidas, por isso dá a sensação de que tudo acontece muito depressa.

Acima de tudo, o que destaco no conto é a amizade entre Gerda e Key. Foi pela amizade que Gerda vai contra todos os obstáculos. Foi a amizade que sentia por Key que  a impediu de desistir nos momentos mais difíceis. Acho esta mensagem muito bonita e importante. Nem sempre da-mos o verdadeiro valor à amizade e aos amigos. Nem sempre precisamos de fazer como a Gerda e enfrentar obstáculos muito difíceis, por vezes são precisos apenas gestos,
(2 Estrelas)


A Pequena Sereia 
Eu sei que é uma vergonha, mas eu nunca vi o filme A pequena Sereia, por isso parti para esta leitura sem qualquer tipo de expectativa ou ideia pré-concebida.
Adorei o conto!!! Até ao momento é o meu preferido do autor.
A pequena Sereia tem um espírito e uma personalidade muito fortes. Nela vive uma ânsia de crescer e conhecer o mundo e quando conhece apaixona-se por um humano. E os humanos não têm uma boa imagem das caudas. Mas a Sereia acredita que pode conquistar este Príncipe. É nesta luta que vemos o quanto ela é corajosa, determinada e capaz de lutar pelos seus sonhos.
O final é surpreendente, sensível e muito simbólico. Nem toda a gente tinha a grandeza de coração da Pequena Sereia para lidar com a situação daquela forma. É uma mensagem muito importante par aquelas pessoas que não olham a meios para atingirem os fins.
(4 Estrelas)

A Princesa e a Ervilha

Este conto é tão pequeno que nem dá para sentirmos bem a história. Temos um Príncipe esquisito que demora a escolher a sua princesa e, do nada, surge alguém pouco comum, que alegava ser princesa. Então toca a arranjar um método para tentar saber se era ou não um princesa.
Acho que a mensagem que o autor queria passar com o conto é que o  aspecto exterior das pessoas não é o mais importante. É preciso conhecer o interior da pessoa, conhecer a sua sensibilidade.