segunda-feira, 26 de junho de 2017

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Desafio]


Desafio para o livro Inês, de Maria João Fialho Gouveia
Inês


A história de um amor intemporal
Este desafio deve ser respondido ao longo da leitura, de forma a tornar-se mais fácil.
No final da leitura de cada capítulo, procura uma frase ou um excerto (ou mais que um, se preferires) desse capítulo que se relacione com a história de Pedro e Inês.
O objetivo será, no final, que esses excertos nos contem, em traços gerais, a história deste amor intemporal.


Nota: Este desafio contém spoilers. 

Inês e Pedro - Introdução (p. 9)
A paixão que entre ambos [Pedro e Inês] despontou atingiu loucura total que fez os dois amantes atravessarem fronteiras e enfrentarem polestades, para juntos se quedarem. Porém, invejas políticas e intrigas palacianas haviam de toldas a sua luz e selar-lhes um trágico destino.

Inês - Capítulo I (p. 35)
Inês de Castro era uma criança muito bela. Alva, como a neve de Inverno, trazia nas figuras e nas falas a sua relenga ascendência. Os olhos, tão verdes e transparentes quanto um raio de frescas águas, comoviam quem com eles cruzasse pela profundeza que lhes ia, na sua fundura parecendo guardar a história daquela ainda breve vida.

Pedro - Capítulo II (p. 42)
Os primeiros anos passara-os D. Pedro sob o zelo da mãe e as saias das amas. Criança alegre, mas reservada, que brincava sozinho pelos recessos dos paços de seus pais, sempre que a irmã Maria - sete anos mais velha do que ele - dele apartavam para lhe serem ensinadas as coisas de mulheres. Não havia canto nem recanto que o pequeno D. Pedro não soubesse de cor no palácio do seu pai Afonso, debruçado sobre o Mondego.

Inês - Capítulo III (p. 77)
A sua beleza era motivo de alguns ciúmes por parte de certas meninas da corte do primo João Manuel, as quais, malgrado a tenra idade da pequena galega, já lhe invejavam o primor dos traços e as conquistas que estes, em dias vindouros, lhe deixavam adivinhar. No imaginário das pequenas cortesãs, a Castro estava certamente destinada a um príncipe espanhol, ou de uma terra distante, belo e valente, como um herói das cruzadas. De todas elas, Inês era, no seu ingénuo parecer de criança, aquela a quem a vida faria mais feliz. 

Inês - Capítulo IV (p. 125)
(...) E se Dona Teresa a traz prendada, e exímia na arte dos lavores! Não vos surpreenda, porém, que a minha filha saiba ler um braçado de letras e de palavras, as quais aprendeu com aquele infante português, que, tal como o pai, dominava a arte das trovas e das rimas. 

Pedro e Inês - Capítulo V (p. 153)
Agora, porém, ali estava ele, D. Pedro de Portugal, quedado a fitá-la com agrado, enfeitiçado pelas linhas da sua face, pelo louro dos seus cabelos, pela sua figura, por tudo, enfim, que nela observava. Os primeiros instantes do seu encontro foram vividos em silêncio, nenhum dos dois aventurando palavras alguma proferir. Inês corava, encolhida, por se saber junto daquele que um dia viria a ser soberano daquele reino, e mais ainda acanhada por assim o ver embevecido consigo, a aia e confidente da sua futura mulher. Sacudida por essa nua realidade, desenhou uma vénia e fez menções de abalar, quando ele a susteve por um braço (...).


Inês - Capítulo VI (p. 197)
(...) Certa vez [Inês] sentou-se à beira de uma das fontes de Dona Isabel, tirando o pano que lhe tapava as louras melenas para o mergulhar nas águas frescas e o passar pelo rosto, pelo pescoço, pelo seio que lhe ardia. «Que amor é este que me maltrata e me macula o nome e o pensamento?», questionou-se, chorando em lágrimas desesperadas, que em caindo se juntaram à corrente que seguia o seu caminho, indiferente ao seu padecer.


Inês - Capítulo VII (p. 212)
- Eu nunca me deitei com Pedro! Nunca conheci o calor do seu leito ou dos seus lençóis. Encantei-me, é certo; mas embora o repudiasse vez após vez, mudando os meus hábitos e os meus itinerários, ele acabava sempre por sair-me do caminho, com aquela pose e aquela figura que Deus lhe deu e que me tirava o chão! Sabia bem a seriedade da situação em que estava a enredar, traindo a confiança de Constança e provocando a ira d'el-rei, mal soubesse do nosso romance e da minha identidade. E, contudo, Pedro entranhou-se-me na pele como uma praga e não mais consegui libertar-me do seu feitiço.

Pedro e Inês - Capítulo VIII (p. 254)
Regressava a jovem da sua visita piedosa quando à porta da quinta avistou um vulto de vestes exuberantes e gorra garrida, sob a qual longos cabelos ruivos pendiam até aos ombros. Era Pedro! O coração disparou-lhe no peito, travando-lhe o passo. Deteve-se. Pasmou de longe a mirá-lo, sem saber o que fazer. Tanto tempo esperara pelo seu amor e agora ali o tinha não se lhe dirigia. Foi o príncipe quem, lendo a incerteza nos gestos da sua amada, correu ao seu encontro.

Pedro e Inês - Capítulo IX (p. 293)
Enfim cônjuges legítimos, Pedro e Inês conheceram uma noite de um amor mais sério e sereno, mas não menos apaixonado. Uma vez fechada sobre si a porta que os separava do mundo, sentaram-se à beira do leito, de mãos dadas e olhos postos um no outro. Sorriram, choraram, trocaram palavras de afecto, e, por fim, amaram-se. Amaram-se com tempo, sem ligeireza no aperto, naquele encontro de peles que achegam mais do que a cópula ou um beijo. Tocaram-se lentamente, passo a passo, sem esquecer um pormenor que fosse dos seus rostos ou dos seus corpos que se fundiam.

Pedro e Inês - Capítulo X (p. 297)
Pedro e Inês arribaram a Coimbra semanas depois do seu enlace. O príncipe entendera que, uma vez casados - malgrado o secretismo desse facto -, a sua união estava legitimada, pelo que não havia motivo para viverem afastados da corte do reino. De início a princesa opusera-se ao projeto, preferindo a segurança da distante Bragança, ou do saudoso Canidelo. O marido, porém, teimara em instalar-se na cidade que vira nascer e que lhe rimava em importância e agitação.

Pedro e Inês - Capítulo XI (p. 328)
Com efeito, a paixão que inflamava o príncipe e a galega parecia tão ardente como nos seus primórdios, não escasseando entre ambos gestos de afecto e ternura, em privado como em público. Durante a gravidez de cada um dos infantes o príncipe ainda mais acentuava a sua meiguice, provendo a Inês todos os confortos e mordomias, e não raramente pousando-lhe a mão sobre o ventre para sentir o novo filho que nele medrava. 

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(Fonte dos amores, Quinta das Lágrimas, Coimbra)

Inês - Capítulo XII (p. 362)
Mas não houve rogo nem choro que comovesse os verdugos. A um sinal de Coelho, Álvaro avançou, forçando a princesa a ajoelhar-se. Foi então que o som frio do gume de uma lâmina corou o ar da sala: D. Pêro desembainhara a sua espada, que agora brandia, pavoroso e determinado! Inês Pires de Castro, certa do seu destino, alevantou o rosto. De olhos raiados de vermelho e castigados pelas lágrimas, mirou os filhos, um a um, como se quisesse levar memória das suas faces para a outra vida. Depois despediu-se dos seus fiéis amigos, sem uma palavra proferir, e, por fim, procurou com o olhar o cume das árvores do jardim da rainha, sob as quais amara Pedro com paixão tal, que sabre algum dele a poderia separar. 
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(Quinta das Lágrimas, Coimbra)

Pedro - Capítulo XIII (p. 387 e 399)
Nos primeiros anos de governação fechou-se nos seus paços, recusando as festas e o amor. Mal dormia, atormentado pelas memórias de Inês, enquanto lhe via os filhos crescerem órfãos e sem mãe.
(...)
E se o tempo lhe devolvera o amor à folia, também a ferida rasgada no seu peito régio sarara, derrubando as barreiras com as quais o rei protegia o coração que por Inês chorara. Chorava ainda, e assim faria até que a morte o chamasse: mas ora já o seu olhar de novo recaía pelos contornos das jovens que por si passavam. 



Esta é uma imagem da Ponte Pedonal Pedro e Inês que liga as duas margens do Mondego, em Coimbra. Esta ponte é a prova que, ainda hoje, o amor de Pedro e Inês se espalha pelas ruas apertadas de Coimbra, pelas ladeiras e recantos cheios de história e de estórias. Foi a este amor tão especial que Coimbra é conhecida pela capital do amor em Portugal. 
Enquanto estudante de Coimbra visitei alguns lugares referidos no livro, a Quinta das Lágrimas, a Fonte dos Amores, o local onde está sepultada D. Isabel de Aragão (Rainha Santa). No meu último ano também assisti às festas em honra da Rainha Santa Isabel. 

Denise, espero que tenha consegui captar toda a essência que pretendias com o desafio. Não foi fácil, mas até gostei do resultado final. 

2 comentários:

  1. Ohh, adorei o resultado final! Ficou mesmo interessante e acho que conseguiste muito bem contar a história deste grande amor através de alguns excertos. :)

    Beijinhos

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!